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Ivan Lessa
Colunista da BBC Brasil

Brazil com z

A bandeira do Brasil tem, em seu círculo central, um símbolo maçônico.

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O brasão do Brasil é uma AK-47 encimando o slogan “Matando capitalistas desde 1947”. Embaixo as instruções para seu uso. 1. Aponte. 2. Atire.

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Lema do país: “Não é culpa nossa!”

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Hino nacional: A Garota de Ipanema (em elevadores e lojas de departamentos), Raízes, Sangrentas Raízes (canção marcial. Nota deste redator: é um dos grandes sucessos da banda Sepultura)

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A capital do Brasil é o Rio de Janeiro (no verão), Buenos Aires (no inverno).

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A maior cidade do país é Timbuktu.

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Língua oficial: Um estranho dialeto espanhol chamado português.

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Governo: orgia.

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Amigo de Bono: Luiz Inácio Lula da Silva.

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Heróis nacionais: Blanka, Sean, Carlos.

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Declaração de Independência: E algum de nós é verdadeiramente livre?

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Moeda corrente: reféns.

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Religião: New Age, vodu, evangelistas fundamentalistas.

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População: Estimativa por alto: 60% bronzeados, 20% turistas vindos do Kansas,
10% de “conquistadores” bem, mas bem perdidos mesmo. 5% de “Os Garotos do Brasil”. 2% de jogadores de futebol, 2% de estátuas de Jesus, 1% de Sam Lowry (Nota do tradutor: é aquele personagem vivido por Jonathan Pryce no filme Brazil, de Terry Gilliam).

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Principais exportações: música, borracha, álibis, bauxita, panfletos explicando o que é a bauxita.

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Principais importações: fugitivos, peças de Vokswagen.

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O Brasil é um paraíso para piratas que virou país no dia 7 de setembro de 1822.

O Brasil é mais conhecido por sua história de canibalismo, seus topless (para travestis, bumbumless para mulheres), sua cultura chique de ausência de roupas, seu lendário hooliganismo no futebol e outras atividades criminosas.

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Quem está preocupado com o texto visto acima – e é apenas uma amostragem –, e, louco furioso de ódio, disposto a matar alguém (possivelmente a mim), contenha-se. Se possível for, se contenção houver. É tudo sacanagem.

Sacanagem da grossa. Claro. Para quem tiver o mínimo necessário de humor, procure entrar no site uncyclopedia.wikia.com/wiki/Uncyclopedia. Para quem não tiver humor, esquece. Tente mandar prender, escreva para uma autoridade, denuncie aos devidos poderes, chame o guarda.

Só que o site é impagável. E você, ilustre leitor e passageiro, pode contribuir, acrescentar, mostrar suas credenciais de redator pago da Casseta e Planeta.

Se ficou chateado com o verbete (são 14 páginas que eu vou te contar, minha gente), dê uma chegada àquele dedicado aos Estados Unidos da América do Norte, por sinal ainda em trabalhos, talvez devido à recente posse de Barack Obama. E já que está por lá, taque no engenho de busca “Barack Obama”. Oba. Consideremo-nos a nós, brasileiros, com sorte. Livraram nossa cara, por assim dizer.

Na segunda-feira, dia 2, quando a nevasca nos prendeu a nós, londrinos, em casa, em vez de ficar jogando meu poquerzinho cibernético com dinheiro de mentirinha, passei um bom par de horas no computador rindo alto sozinho com diversas entradas.

Depois fui ver um DVD de filme do Almodóvar que eu tinha perdido (A Flor do Meu Desejo). Façam o mesmo. Quer dizer, deixem o filme do homem para lá, embora seja das melhores coisas do divino espanhol. O que eu estou querendo sugerir é para que vocês folheiem aquilo que, por conta e risco próprio, traduzi como Desenciclopédia.

Para encerrar, uma última das entradas mais desaforadas no item “Brazil” da Desenciclopédia, só para deixar a todos com um gostinho ou de mel ou de fel na boquinha.

Lá está, ao lado da ilustração a cores do clássico Zé Carioca, que Walt Disney criou para nós, estendendo a mão da amizade continental: “Zé Carioca é um dos mais famosos cáftens brasileiros”.