As 'repugnantes' cenas de tortura transmitidas pelo Facebook que levaram à prisão de 4 pessoas nos EUA

Jovem foi amarrado e agredido em Chicago Direito de imagem Reprodução/Facebook
Image caption Agressão foi transmitida ao vivo pelo Facebook

Um jovem aparece agachado em um canto. Suas mãos e pescoço estão amarrados com um suspensório laranja e a boca, amordaçada com uma fita.

Dois homens então cortam as mangas de sua camisa com facas e se revezam batendo nele, o que inclui golpes na cabeça. Eles também cortam seu cabelo e parte do seu couro cabeludo até que comece a sangrar.

Durante o espancamento, os agressores gritam, riem, fazem piadas, fumam e escutam música. Enquanto isso, a vítima permanece sentada no chão, imóvel.

Essa tortura foi transmitida em vídeo ao vivo por 30 minutos no Facebook, algo que a polícia de Chicago, nos Estados Unidos, classificou como um feito "repugnante".

A vítima do ataque é um jovem com deficiência mental e, segundo autoridades, quatro pessoas foram presas suspeitas de participação no crime - dois homens e duas mulheres.

Durante o vídeo, é possível escutar os agressores gritando insultos contra pessoas brancas e o presidente eleito do EUA, Donald Trump.

Brutalidade

O caso está sendo considerado como um possível crime de ódio.

"Faz você pensar o que poderia fazer uma pessoa tratar alguém dessa maneira", afirmou o Superintendente da Polícia de Chicago, Eddie Johnson, em entrevista à imprensa.

"Eu sou policial há 28 anos e já vi coisas que vocês nem imaginam no dia a dia, mas ainda me impressiona como você ainda consegue se deparar com situações que são impossíveis de entender."

A polícia diz que a vítima, um jovem branco cujo nome não foi divulgado, era conhecida de um dos agressores e pode ter sido sequestrada pelo grupo até 48 horas antes do ataque.

Ele já obteve alta do hospital, mas ficou traumatizado com a agressão.

Aos jornalistas, oficiais elogiaram a resposta rápida da polícia ao se deslocar para resgatar a vítima.

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Image caption O superintendente da Polícia de Chicago, Eddie Johnson, descreveu o caso como 'repugnante'

Denúncias

Durante 30 minutos da transmissão no Facebook, é possível ver um grupo de jovens bebendo, fumando e rindo, enquanto a vítima fica petrificada, amarrada e aterrorizada.

Em outros vídeos publicados, o jovem é golpeado e forçado a beber água de um vaso sanitário enquanto os agressores o ameaçam com uma faca e o obrigam a dizer: "Amo as pessoas negras".

O chefe da polícia Kevin Duffin disse que a investigação busca entender se a agressão foi motivada por um crime de ódio.

"São jovens adultos, e eles tomaram uma decisão estúpida", afirmou o policial. Segundo ele, o grupo será investigado para determinar "se o discurso foi sincero ou apenas um ataque de delírio estúpido", disse.

O incidente ocorreu na terça em um apartamento em Chicago. Os policiais encontraram a vítima perambulando pela rua em um estado de desorientação e angústia depois da agressão na terça-feira.

Os agentes foram até o local depois de ter ouvido denúncias sobre um ataque naquela região - quando chegaram, descobriram os sinais de violência e danos à propriedade.

Segundo James Cook, correspondente da BBC na América do Norte, apesar de o incidente ser impactante, a violência cometida por gangues é comum em Chicago, onde foram registrados 762 assassinatos no ano passado - mais do que em Nova York e Los Angeles juntas.

Violência desenfreada

Na mesma terça-feira, um juiz condenou vários líderes da temida supergangue Hobos, acusados de criar um "império de medo" para manter um vasto negócio de drogas.

Eles aterrorizavam as comunidades com ameaças, sequestros, torturas e roubos. Armas potentes eram usadas nos ataques.

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Image caption Policiais foram elogiados por sua resposta rápida ao incidente

Uma vez, abriram fogo contra uma vítima em um berçário. Em outras ocasiões, em uma festa de rua no bairro e em uma funerária.

Depois de um longo julgamento que durou 15 semanas - e centenas de testemunhas -, seis membros da Hobos foram considerados culpados por crimes de conspiração, algo que pode significar prisão perpétua no Estado.

O processo se desenrolou em meio à crescente violência nas ruas de Chicago, uma realidade que virou até tema da eleição presidencial nos EUA.

Em seus discurso e tuítes, Donald Trump destacou o fato de que o aumento da criminalidade e divisão racial está acontecendo na cidade onde o presidente Barack Obama trabalhou como ativista e depois como senador.

O correspondente da BBC pondera, porém, que o presidente eleito enfrentará o desafio de transformar suas palavras críticas em ação prática.

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