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07 de julho, 2000 Publicado às 20h30 GMT
HIV fica resistente e dificulta tratamento

O tratamento com coquetéis custa até US$ 950 ao mês

A pesquisa da Aids está hoje dividida em dois campos complementares: um que busca melhorar a vida das pessoas infectadas com o vírus HIV e outro que busca uma vacina definitiva contra a doença.

No primeiro caso, em que se destacam os coquetéis de drogas anti-HIV, o desafio atual está em criar medicamentos que ataquem a multiplicação do HIV já resistente a eles e que possam facilitar a vida dos soropositivos, que têm uma vida sacrificada pela necessidade de tomar os remédios em horários fixos.

Buscam-se também medicamentos mais baratos, já que a doença se desenvolve rapidamente nos países pobres.

No segundo caso, o desafio está em criar vacinas que ataquem o HIV, mas não sejam perigosas, isto é, que não possam causar uma infecção na pessoa que as toma.

Outro problema das vacinas é que o seu teste é demorado. As previsões são que as primeiras vacinas possam demorar dez anos para estar disponíveis para uso em grande escala.

Coquetéis

Há quatro anos, na Conferência da Aids em Vancouver, no Canadá, criou-se a esperança de que o vírus HIV poderia ser controlado completamente no organismo das pessoas infectadas.

De fato, em alguns pacientes, foi constatado que o uso de coquetéis de drogas com funções diferentes (os famosos inibidores de protease e inibidores de transcriptase) podia reduzir a quantidade do HIV a níveis indetectáveis.

Mesmo sendo um avanço em relação ao AZT, único medicamento disponível em boa parte da década de 80, o tratamento com os coquetéis teve reações diferentes de acordo com o paciente.

Os próprios médicos têm dificuldade em encontrar qual a melhor combinação dos 14 medicamentos existentes contra a Aids nos EUA, por exemplo, para os seus pacientes.

Mutação

Mas o principal problema enfrentado hoje pela pesquisa nessa área é o fato de o vírus HIV sofrer mutação rapidamente e se tornar resistente aos medicamentos.

Parte dessa resistência aos medicamentos é adquirida com o mau uso das drogas atualmente disponíveis.

Esse mau uso, por sua vez, vem em grande parte do fato de alguns medicamentos exigirem duas horas de estômago vazio, o que torna a vida dos soropositivos extremamente regrada.

Se os pacientes não tomam os medicamentos da forma correta, o vírus acaba adquirindo resistência a eles.

Nessa linha, novos medicamentos, como o efavirenz, por exemplo, exigem que sejam tomados apenas uma vez por dia.

A pesquisa da medicina nessa área está baseada na busca de medicamentos que exijam menos sacrifício dos pacientes e que sejam mais resistentes.

Os estudos nessa área também buscam medicamentos mais baratos, já que uma terapia com coquetéis custa em média US$ 950 por mês.

As empresas farmacêuticas ja prometeram reduzir os preços dos remédios contra a Aids, que já podem ser comprados por menos de US$ 500 em alguns países africanos.

Vacinas

A busca por uma vacina definitiva contra a Aids continua, com recentes testes em vários países, desde os EUA até o Quênia, na África. Em agosto, por exemplo, devem começar os testes em seres humanos de uma nova vacina desenvolvida na Grã-Bretanha.

Uma outra importante série de testes iniciada na Tailândia em fevereiro de 1999 deve ter os seus primeiros resultados anunciados dentro de dois anos.

A idéia de uma vacina contra a doença prevê que ela contenha uma versão diferente, menos potente, do vírus. Várias vacinas fracassaram porque o vírus HIV utilizado nelas acabou retomando a capacidade de multiplicação e infectando novamente os pacientes testados.

A pesquisa nessa aérea hoje é baseada na tentativa criar um vírus misto do HIV com um outro vírus, retirando com isso os genes que permitam a multiplicação do HIV.

Recentemente, foi divulgada uma pesquisa de um grupo de cientistas americanos que afirmam ter conseguido isso, mas essa vacina ainda não foi testada em seres humanos.

Alguns cientistas afirmam que, mesmo assim, uma vacina contra a Aids só deverá ser definitiva se ela conseguir criar anticorpos de verdade contra o HIV.

 

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