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11 de agosto, 2000 Publicado às 22h30 GMT
Brasileiro ainda resiste a usar camisinha

Para muita gente, preservativo diminui o prazer da relação sexual

Dados oficiais revelam que 52% dos jovens de até 25 anos não usam o preservativo. A resistência é ainda maior entre a população adulta.

“A camisinha tornou-se a principal arma de combate ao vírus da AIDS", diz Paulo Teixeira, coordenador da divisão de DST/AIDS do Ministério da Saúde.

"Os homens têm um papel vital nesta luta”.

Mas convencer o homem brasileiro a usar a camisinha não tem sido uma tarefa fácil.

Experiência

Muitas são as razões alegadas pelos homens para deixar a camisinha de lado.

Uma delas é a idéia de que o homem sabe mais sobre sexo do que a mulher.

“Os garotos não aceitam que a menina exija a camisinha. Dizem que a gente não sabe de nada, não tem experiência”, conta Marcia Pereira, de 17 anos, do Rio de Janeiro.

Sensibilidade

Uma outra razão para recusar o preservativo é a perda de sensibilidade. “É muito incômodo. E se você confia no parceiro, por que usar?”, pergunta o estudante mineiro Alexandre Villas.

Confiança, aliás, é um argumento, cada vez mais comum, na hora de negociar a camisinha.

Muitos homens e mulheres adotam o preservativo no início do relacionamento, mas depois de alguns meses, acham que não correm mais risco.

A conselheira Ana Luiza, do GAPA, Grupo de Apoio à Prevenção da Aids, em Florianópolis, SC, diz que o maior motivo de desentendimento nos relacionamentos atuais é a negociação do preservativo.

“O homem associa a camisinha à infidelidade. Quando elas chegam com camisinha em casa, eles não só desconfiam dela, como podem se tornar agressivos. Embora saibam que algumas mulheres têm o vírus do HIV. É um trabalho enorme fazer eles entenderem que precisam se proteger.”

Para as mulheres

Com a chegada da camisinha feminina ao mercado brasileiro, as mulheres ganham outra opção.

Mas a maioria das mulheres ainda desconhece o preservativo.

“O problema é que a camisinha feminina ainda não está bem divulgada entre as mulheres. É novidade para muitas mulheres. Outro problema é o preço. Ela é três vezes mais cara que a masculina. ”, afirma Rosana Quint, dona-de-casa, que contraiu o vírus da AIDS do próprio marido, e hoje trabalha como voluntária no GAPA.

Para a coordenadora de DST/AIDS de Santa Catarina, Luciane Daufenbach, a resistência ao uso do preservativo masculino vai diminuir com o tempo.

“É sempre assim com todas as campanhas de saúde. O mesmo aconteceu com a escovação de dentes. Tudo precisa de tempo. Aos poucos, nós estamos avançando”, diz Daufenbach.

 

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