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11 de agosto, 2000 Publicado às 22h30 GMT
Falta de dados dificulta combate a doenças do sexo

Número de soropositivos ainda é um mistério no Brasil

O Brasil não dispõe de estatísticas sobre todas as doenças sexualmente transmissíveis, as DSTs.

O Ministério da Saúde só obriga a notificação de duas DSTs: a Aids e a sífilis congênita.

A falta de dados sobre o número de pessoas contaminadas com doenças sexualmente tramsmissíveis é uma das maiores barreiras no combate e tratamento, segundo a coordenadora Luciane Daufenbach, da divisão DST/Aids da Secretaria de Saúde do Estado de Santa Catarina.

“Nós não sabemos quantas pessoas têm o vírus da Aids no Brasil. Muitos profissionais alegam que não têm tempo para notificar os casos de DSTs por inúmeras razões. E nossa tarefa é motivar os profissionais da área a trabalharem bem”, diz Daufenbach.

Falta de cultura

Para o vice-diretor do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, Vasco Pedroso, o problema da subnotificação tem outras causas.

“O Brasil não tem cultura de notificar, anotar dados, passar adiante. Isso é uma coisa cultural. Agora com a Aids é que começamos a melhorar, pois os dados do paciente têm que constar do prontuário.”

Uma pesquisa da BEMFAM, A Sociedade Civil Bem-Estar Familiar no Brasil, realizada em 1996, revela que as DSTs mais conhecidas por jovens e adolescentes são a gonorréia e a Aids.

“A Aids virou uma estrela da mídia, mas é preciso falar de outras doenças sexualmente transmissíveis como sífilis e clamídia, por exemplo”, alerta o professor Vaz Neto, da Universidade Federal da Paraíba.

Sem identificar

Mais de 80% das mulheres com DST em 1996 não sabiam identificar a doença.

“Como algumas doenças não mostram sintomas, como o caso da sífilis, as pessoas acabam indo à farmácia, tomando qualquer coisa e pensam que estão curadas”, diz a ginecologista carioca Mônica Almeida.

A maioria das DSTs, com exceção da Aids, tem cura.

Mulheres grávidas podem fazer o teste da Aids e sífilis e tratar o bebê.

No caso de gestantes soropositivas adequadamante tratadas, a chance de o bebê ser portador do vírus do HIV diminui para 8%.

Alerta

Especialistas alertam, no entanto, para o tratamento simultâneo do parceiro sexual.

“Do contrário, o paciente vai se tratar e voltar a contrair a doença tão logo se relacione com a pessoa contaminada”, explica Vasco Pedroso de Lima, vice-diretor do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São, Paulo.

A Aids, doença que atinge cerca de 34 milhões de pessoas em todo o mundo, não tem cura.

Desde que o vírus do HIV chegou ao Brasil, na década de 80, foram registrados quase 180 mil casos de Aids.

Mais de 14% dos casos eram de jovens de até 24 anos.

Para o coordenador da divisão de DST/Aids do Ministério da Saúde, Paulo Teixeira, o homem tem um papel fundamental no combate à doença.

“É preciso que o homem entenda que usando a camisinha ele está se protegendo e protegendo sua parceira”.

Resistência

A resistência ao preservativo é maior entre os adultos.

Entre os jovens, 48% afirmaram usar o preservativo nas relações sexuais.

Mas, muitas mulheres reclamam que os parceiros rejeitam a camisinha.

“A gente pede pra usar e eles dizem que nós estamos desconfiando deles”, conta Márcia Pereira, de 17 anos, do Rio de Janeiro.

“Como se pode falar em confiança, quando o que está em jogo é a vida? As pessoas perderam a razão. Utilizar um argumento emocional contra uma coisa puramente biológica, que é a contaminação com o vírus”, critica a professora e autora do livro “Mitos e Tabus”, Jimena Furlani.

 

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