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11 de agosto, 2000 Publicado às 22h30 GMT
Falta de informação faz crescer número de mães adolescentes
Grupo de adolescentes grávidas do Instituto Fernandes Figueira, no Rio de Janeiro
Para 40% das mães adolescentes, a gravidez é uma surpresa

Todo ano, no Brasil, mais de 1 milhão de meninas engravidam antes de completar 18 anos.

Só no ano passado, o Sistema Único de Saúde, SUS, realizou o parto de 700 mil meninas.

Segundo um estudo sobre o comportamento sexual de adolescentes e jovens, realizado pela BEMFAM, Sociedade Civil Bem-Estar Familiar no Brasil, 40 % das adolescentes não esperavam engravidar.

A falta de informação sobre métodos contraceptivos foi citada por 30 % das entrevistadas como causa da gravidez.

Erotização

Especialistas dizem que algumas das principais causas da gravidez precoce são a antecipação da menarca, a primeira menstruação, mudanças de comportamento e influência da mídia.

“Hoje em dia, as crianças estão absolutamente erotizadas. Você encontra meninas de três, quatro anos no carnaval, vestidas de Tiazinha”, diz a pediatra de adolescentes Olga Bastos.

Para a ex-dançarina do grupo Tchan, Carla Perez, falar em erotização de crianças é “exagero” da imprensa.

“Pegam muito no pé do artista. E isso acaba chamando a atenção da crianças e dos pais da criança também”, afirma Carla.

Prioridade

No Brasil, o combate à gravidez precoce tornou-se uma das prioridades do Ministério da Saúde.

“Treinamos 140 mil professores da rede pública, no ano passado, para lidar com o problema. Mas, até agora, os números revelam que a gravidez na adolescência está aumentando no Brasil", diz Tânia Lago, coordenadora da Saúde da Mulher, do Ministério da Saúde.

"Em 99, o índice da gravidez na adolescência foi 13% maior que no ano anterior”.

Segundo ela, o próximo passo do governo será a criação de espaços jovens para debate sobre sexualidade dentro das próprias comunidades.

Assistência na Europa

A questão da gravidez precoce atinge também a Grã-Bretanha, onde mais de 90 mil meninas engravidam a cada ano.

O país tem o maior índice de gravidez na adolescência da Europa.

As adolescentes britânicas dispõem de assistência médica e psicológica durante a gravidez e o parto.

Mas, as meninas brasileiras ainda têm que enfrentar muitas barreiras.

“Ter um filho sozinha é muito triste. Desde o começo até o final da gravidez”, conta Selma Oliveira, de 17 anos.

Abandonada pelo namorado, ela precisou da ajuda da família para cuidar da criança, enquanto continuava trabalhando como empregada doméstica.

Fora da escola

Outras adolescentes não têm a mesma sorte, e precisam interromper os estudos para cuidar do bebê.

Contar para os pais nem sempre é uma tarefa fácil: “Meu pai ficou duas semanas sem falar comigo. Depois, ele ficou com pena e voltou atrás”, diz a carioca Marcela do Nascimento, de 15 anos.

Para as psicólogas escolares Valeschka Guerra e Vívian Correa, responsáveis pela página de internet sexo-na-escola, a melhor receita para se combater a gravidez precoce é o ensino de educação sexual nas escolas.

“Hoje, sexualidade é um tema transversal. Ou seja, todos os professores podem ensinar a matéria, mas ninguém ensina. No Brasil, educação sexual tem que se tornar uma matéria como química, física, português ou matemática".

"Falando sobre sexo desde pequenos, os adolescentes vão aprender a lidar com o tema com mais informação e responsabilidade”.

 

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