Votação no Parlamento italiano deve definir futuro de Berlusconi

O governo do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, enfrenta um importante desafio nesta terça-feira, quando o Parlamento votará a proposta de orçamento do país. Uma derrota do governo na votação poderá levar à renúncia do premiê.

A Itália enfrenta uma grave crise política e financeira, na qual a pressão sobre Berlusconi se soma à instabilidade dos mercados. Os custos para a tomada de empréstimos voltaram a subir no país nesta segunda-feira, causando temores de que o governo não conseguirá saldar suas enormes dívidas.

Berlusconi afirma ter o número suficiente de votos para ganhar a votação do Parlamento.

No entanto, o premiê enfrenta uma rebelião no Legislativo, com um número cada vez maior de parlamentares convictos de que ele - envolvido em escândalos sexuais e criticado pela condução da economia - não é a pessoa certa para comandar a Itália.

Ansiedade

Entre investidores e líderes outros países da zona do euro, cresce a ansiedade em relação à Itália, que é a terceira maior economia do grupo.

Na última semana, os custos para a tomada de empréstimos por dez anos aumentaram para 6.64%, o maior valor para o país desde sua entrada na zona do euro e um índice perigosamente próximo de uma taxa de juros indesejada para o setor público, que terá que emprestar 300 bilhões de euros somente em 2012.

Segundo o editor de negócios da BBC, Robert Peston, os juros de empréstimo financeiro para pagar as dívidas do país podem fazer com que a Itália também precise recorrer a um plano de resgate da União Europeia

"Silvio Berlusconi insiste que os mercados estão errados, mas quando os investidores exigem um certo nível de pagamento pelos riscos ao emprestar dinheiro para um país como a Itália, a história mostra que é muito difícil persuadi-los a aceitarem uma taxa de juros baixa. E taxas de juros não muito maiores do que as que a Itália está enfrentando agora forçaram Portugal, Irlanda e Grécia a pedir fundos de emergência", disse.

Proteção

Segundo o correspondente da BBC em Bruxelas, Chris Morris, ministros de Finanças da zona do euro se encontrarão na cidade para tentar decidir os detalhes de um enorme fundo de proteção financeira e resgate para os países que se encaminham para a crise.

As linhas gerais do plano foram definidas em uma maratona de reuniões de cúpula em outubro, mas já há temores de que não sejam o suficiente.

Em outubro, os líderes europeus concordaram em aumentar o valor do fundo de proteção dos atuais 440 bilhões (cerca de R$ 1 trilhão) de euros para 1 trilhão de euros, para que seja possível lidar com as dívidas da Itália e da Espanha.

Na última semana, líderes dos 20 países do G20 concordaram em aumentar os recursos disponíveis para o FMI, mas não deram detalhes sobre os planos para a zona do euro.