Homens reivindicam direitos em sociedade matrilinear na Índia

Mulheres Khasi em Shillong, na Índia. | Foto: Timothy Allen / humanplanet.com Direito de imagem Timothy Allen
Image caption As mulheres Khasi dizem não confiar nos homens para controlar riquezas

No pequeno estado montanhoso de Meghalaya, no leste da Índia, opera um sistema matrilinear em que propriedades e riquezas passam de mãe para filha ao invés de de pai para filho.

No entanto, alguns homens estão fazendo campanhas por mudanças.

Ao que parece, a visão de um pequeno grupo de homens sufragistas do povo Khasi, nativo da região, tem ganho popularidade local, revivendo opiniões que começaram a ser divulgadas por um grupo de intelectuais nos anos 60.

Estou sentado em uma mesa diante de Keith Pariat, presidente do Syngkhong-Rympei-Thymmai, o movimentos de direitos dos homens de Meghalaya.

Ele rapidamente me assegura que ele e seus colegas "não querem derrubar as mulheres".

"Nós só queremos levar os homens até onde estão as mulheres", diz.

Favorecimento

Pariat, que ignorou os costumes tradicionais ao adotar o sobrenome de seu pai, está convencido de que a matrilinearidade está criando gerações de homens Khasi que não conseguem atingir seu potencial inato, citando o alcoolismo e o uso de drogas entre alguns de seus efeitos colaterais negativos.

"Se você quer saber o quanto os Khasi favorecem as mulheres, vá até a ala da maternidade no hospital", diz.

"Se é uma menina, haverá grandes comemorações da família do lado de fora. Se é um menino, você ouvirá eles murmurarem educadamente que 'O que Deus quiser nos dar está bom'."

Pariat cita inúmeros exemplos de como seus companheiros de grupo estão sendo desmoralizados. Eles incluem uma teoria envolvendo o modo como o gênero na língua Khasi reflete estas tradições culturais.

"Árvore é masculino, mas quando se torna madeira, vira feminino. O mesmo acontece com muitos substantivos na língua. Quando algo se torna útil, seu gênero vira feminino", diz.

"A matrilinearidade gera uma cultura de homens que se sentem inúteis."

Santuário

Eu falo com Patricia Mukkum, a respeitada editora do jornal diário de Shillong. Ela me assegura que seu patrimônio herdado é somente uma das razões pelas quais chegou ao nível social que tem hoje e diz que a tradição de excluir as mulheres do processo político ainda é muito forte na cultura local.

No entanto, como mãe de filhos de três pais Khasi diferentes, ela é a primeira a admitir que a anomalia social da região lhe proporcionou amplas oportunidades de ser uma mãe e uma executiva de sucesso.

Ao fazer referência aos problemas de rotina que as mulheres enfrentam logo após a fronteira, no estado indiano de Bengala Ocidental, Mukkum é resoluta.

"Nossa cultura oferece um santuário muito seguro para as mulheres", afirma.

Falta de confiança

Decido ver a situação por mim mesmo em uma vila remota nas montanhas orientais Khasi. Depois de duas horas caminhando pela floresta fechada eu encontro Mary, de 42 anos.

Ela é uma "Ka Khadduh", a filha mais nova da família e, consequentemente, a que está destinada a viver com seus pais até herdar a casa deles. Seu marido, Alfred, de 36 anos, vive com ela.

Quando conversamos dentro de casa, Mary me diz que as mulheres não confiam nos homens para cuidar de seu dinheiro, então elas mesmas o controlam. Eu olho para Alfred procurando uma resposta, mas ele só me dá um sorriso.

Mary continua: "A maior parte dos homens em nossa vila abandona a escola cedo para ajudar seus pais nos campos, em detrimento de sua educação." Eu me viro para Alfred novamente. Ele responde com outro sorriso tímido.

Mary admite que nunca ouviu falar do movimento pelos direitos dos homens, mas acha que o sistema nunca irá mudar. Alfred mantém seu sorriso de Monalisa.

Quarenta minutos depois, eu ainda não ouvi nenhum comentário do marido de Mary. Peço a meu tradutor que faça uma pergunta simples diretamente para ele: O que ele acha do sistema matrilinear?

Há uma longa pausa. Depois do que parece ser uma eternidade, o silêncio finalmente é quebrado.

"Ele gosta", diz Mary, e já é hora de ir.

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