Líder curdo aposta em política e anuncia cessar-fogo na Turquia

O líder dos rebeldes curdos na Turquia, Abdullah Ocalan, fez nesta quinta-feira uma oferta de trégua, após anos de conflitos entre curdos e o governo turco.

Ocalan, que está preso cumprindo pena perétua, enviou mensagem de comemoração pelo Ano-Novo curdo em que pediu um cessar-fogo a seus combatentes e disse que "é hora de a política prevalecer".

Apesar de ter sido recebida com cautela pelo governo turco, a mensagem é vista por muitos como um dos principais passos para a conciliação após 30 anos de conflito, que deixou mais de 40 mil mortos e teve um de seus picos de violência no ano passado.

O conflito opõe o governo e o PKK, partido que prega a liberdade da etnia curda no sudeste da Turquia.

Tentativas prévias de cessar-fogo fracasssaram, mas o correspondente da BBC em Istambul, James Reynolds, aponta que desta vez há perspectivas mais otimistas. As duas figuras-chave envolvidas na negociação - Ocalan e o premiê Recep Tayyip Erdogan - têm interesses comuns: ambos querem renegociar as bases do Estado secular curdo, estabelecidas nos anos 1920.

"Erdogan quer deixar as Forças Armadas de fora da política e abrir espaço para a prática pública do islamismo", explica Reynolds. "Ocalan quer direitos formais para os curdos da Turquia. Nenhum parece ter objeções ao objetivo do outro. Um cessar-fogo entre o PKK e o governo turco ajuda a fortalecer cada líder em seus respectivos esforços para redesenhar o Estado."