Governo do Rio apresenta proposta ‘final’ para desocupação de Museu do Índio

Índios que ocupam o prédio do antigo Museu do Índio, no Rio (Foto: AFP/Getty Images)
Image caption Sem acordo, retirada de índios da chamada Aldeia Maracanã pode acontecer a qualquer momento

O governo do Estado do Rio de Janeiro apresentou nesta quinta-feira uma proposta que classificou como "final" parta tentar convencer os índios que ocupam o prédio do antigo Museu do Índio, nas imediações do Estádio do Maracanã, na zona norte da cidade, a deixarem o local voluntariamente.

O prazo dado pela Justiça para que os índios desocupem o prédio terminou na última quarta-feira, e, caso não haja um acordo entre as partes, uma operação para a retirada dos índios da chamada Aldeia Maracanã pode acontecer a qualquer momento.

"Existe uma ordem judicial que será cumprida. Nós queremos que eles saiam pacificamente de lá", disse o secretário de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, Zaqueu Teixeira, em uma entrevista coletiva nesta quinta-feira.

Teixeira apresentou à imprensa uma versão modificada da proposta que já havia sido negociada com as lideranças indígenas, que prevê a retirada dos ocupantes do imóvel e sua instalação em locais provisórios até que seja construído um centro de referência indígena.

Pelos termos da nova proposição, além dos quartos em um hotel usado para abrigar moradores de rua, os índios também poderiam se instalar provisoriamente em áreas em Jacarepaguá ou Bonsucesso ou ainda em uma estrutura provisória nas proximidades do Maracanã. Os ocupantes ainda teriam a opção de voltar às suas aldeias de origem ou receber aluguel social no valor de R$ 400.

A possibilidade de se instalar no hotel havia sido rejeitada previamente pelos indígenas. Na quarta-feira, o defensor público da União Daniel Macedo, que vem defendendo os índios, havia afirmado que o local não permitiria que eles preservassem seus costumes e tradições.

Além disso, o governo se comprometeu a construir um Centro de Referência da Cultura Indígena após a demolição da Unidade Prisional Evaristo de Moraes, em São Cristóvão, zona norte. Embora não haja prazo para a entrega do centro, o secretário afirmou estimar que ele ficaria pronto em cerca de um ano e meio. A falta de uma data específica para a finalização do centro já havia sido alvo de críticas por parte dos índios.

"Estamos no prazo limite daquilo que poderíamos estar ofertando para que pudéssemos obter a resolução pacífica para isso", disse o secretário, que afirmou ser essa a "última" proposta.

Teixeira afirmou ainda ter solicitado na manhã desta quinta-feira que os índios formassem uma comissão para avaliar os novos locais, mas não obteve resposta.

De acordo com o secretário, o governo pretende preservar o prédio do antigo Museu do Índio e lá instalar um Museu Olímpico.

A reportagem da BBC Brasil não conseguiu localizar lideranças da Aldeia Maracanã ou representantes da Defensoria Pública da União para comentar a proposta.