Como satélites estão revelando segredos da civilização maia

Pirâmide maia Direito de imagem CC by SA
Image caption Técnicas de detecção remota têm revelado tesouros escondidos sob mata cerrada

Alguns dos mais esplêndidos murais da civilização maia de que se tem notícia datam do ano 100 a.C. e foram descobertos em meio à mata fechada da floresta de San Bartolo, na Guatemala, em 2001.

Desde o início, ficou claro para arqueólogos que o local tinha mais tesouros guardados, mas a selva era densa demais para ser explorada.

"É muito perigoso entrar na floresta para tentar encontrar sítios arqueológicos - a umidade é altíssima, há várias serpentes", explica Diane Davies, pesquisadora da University College London, do Reino Unido, que atuou na região em meados dos anos 2000.

"Você pode estar literalmente a sete ou oito metros de uma pirâmide e não conseguir enxergá-la porque a vegetação é tão fechada", afirma a arqueóloga.

No entanto, com a análise de imagens feitas por satélites, sítios arqueológicos até agora escondidos estão finalmente sendo revelados.

Lasers e calcário

Direito de imagem NASA
Image caption Imagens de satélite conseguem localizar monumentos pela decomposição do calcário

A equipe de Davies contou com a assessoria de Thomas Sever, cientista da Nasa, que conseguiu identificar vários tipos de monumentos a partir de imagens de satélites, inclusive uma pirâmide perdida.

Como muitas das construções dos maias são feitas em calcário, a composição química em torno das ruínas se alterou com o tempo, e isso aparece nas imagens.

"Ao fazer a varredura de áreas em busca de vestígios arqueológicos, é possível utilizar diferentes comprimentos de onda do espectro eletromagnético a fim de revelar padrões no solo", explica Geoffrey Braswell, da Universidade da Califórnia em San Diego.

Os cientistas também aplicam a tecnologia óptica Lidar, com o uso de lasers, para medir a topografia de um local.

"Se você sobrevoa a copa das árvores, a maioria desses raios laser é refletida pelas folhas e por outros objetos, sem atingir o solo. Mas alguns deles chegam ao chão, o que nos permite enxergar aspectos singulares ali", afirma Braswell.

Mas a tecnologia Lidar é cara e, durante muitos anos, foi utilizada apenas por militares. Braswell conta que adoraria poder usar esse recurso para fazer a varredura de regiões inteiras da América Central que podem ter escapado aos olhos dos arqueólogos. Mas, até agora, isso simplesmente não é acessível.

'Alarmes falsos'

Há ainda outras questões. A maioria dos estudiosos da cultura maia concorda que os locais detectados remotamente precisam ser confirmados por expedições em terra.

Isso porque muitas das aparentes descobertas acabam revelando serem irrelevantes, como um campo ou alguma construção mais recente.

"No norte da área maia de Yucatán, a detecção remota nos dá uma média de 70% de falsos alarmes", diz Braswell.

Muitos especialistas, no entanto, estão concordam que os benefícios que essas tecnologias trouxeram para a arqueologia são impressionantes. Alguns sítios incríveis foram descobertos, quando poderiam ter passado despercebidos das missões em solo.

Em alguns casos, os cientistas conseguiram economizar anos de exploração na mata cerrada simplesmente com a detecção remota.

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