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'Meu pai saiu morto daqui', diz filho de cacique Kaiowá desaparecido

Sob proteção policial, os indígenas de um acampamento guarani kaiowá no Mato Grosso do Sul dizem que seu cacique foi morto em um ataque no último dia 18, perpetrado por sete homens.

"Meu pai está morto. Saiu morto daqui, levou três tiros de calibre 12", disse à BBC Brasil Genilton Gomes, filho de Nísio Gomes, o cacique.

Mas ainda pairam dúvidas sobre o que ocorreu exatamente. A Polícia Federal decidiu tratar o caso como de "desaparecimento ou sequestro", pois a perícia não encontrou no local provas conclusivas de que uma morte tenha ocorrido.

"A quantidade de sangue que a perícia encontrou no local não condiz com o sangramento que teria ocorrido caso ele houvesse sido baleado no peito como foi dito", disse o superintendente da PF no Mato Grosso do Sul, Edgar Paulo Marcon, que foi à região acompanhar o inquérito.

"Além disso não encontramos nenhum cartucho de arma letal no local do ataque mas apenas cartuchos de balas de borracha."

Mas o delegado Marcon diz que, na visão da polícia, as incertezas sobre como os fatos se desenrolaram não diminui a gravidade do caso. "Claramente houve um ataque contra os indígenas e nós vamos perseguir e punir os responsáveis por isso."

Na ausência do pai, Genilton, de 29 anos, assumiu a liderança política do grupo e também as responsabilidades espirituais dele como "rezador" da comunidade. "Não vamos sair daqui, é a nossa terra", disse ele, sobre o acampamento indígena.