Fotos mostram amor entre idosos lutando contra o Alzheimer

Atualizado em  14 de fevereiro, 2012 - 08:42 (Brasília) 10:42 GMT

Quando lutar é o que resta

  • Fotos: Alejandro Kirchuk
    O fotógrafo argentino Alejandro Kirchuk registrou durante três anos a luta de seus avós maternos contra o mal de Alzheimer, doença da qual sofria sua avó, Mónica.
  • Fotos: Alejandro Kirchuk
    Doença degenerativa que deixa o paciente em situação de grande dependência tende a piorar com o tempo. Nesta imagem, Kirchuk registra um dos poucos movimentos que sua avó ainda conseguia realizar ao fim da vida: segurar o cobertor. (Foto: Alejandro Kirchuk)
  • Fotos: Alejandro Kirchuk
    Marcos leva comida para Mónica, que se encontra deitada na cama. Cinco anos após o diagnóstico, por conta da crescente dificuldade de mastigação, ela só conseguia comer alimentos liquidificados. (Foto: Alejandro Kirchuk)
  • Fotos: Alejandro Kirchuk
    Marcos, solitário, descansa sentado na cama. O mal de Alzheimer não afeta somente o paciente, mas também quem é por ele responsável. Desgaste físico, estresse e conflitos emocionais são alguns dos problemas que acompanham a dura realidade da batalha contra a doença. (Foto: Alejandro Kirchuk)
  • Fotos: Alejandro Kirchuk
    Por mais de três anos, Marcos alimentou Mónica. "Aprendi a ser paciente cuidando dela e alimentando-a", diz. "Cada refeição durava uma hora." (Foto: Alejandro Kirchuk)
  • Fotos: Alejandro Kirchuk
    Marcos limpa objetos no banheiro, enquanto Mónica permanece na cama, na casa de ambos, em Buenos Aires. Kirchuk diz que, quando iniciou o seu trabalho fotográfico, Mónica sofria de Alzheimer havia dois anos e levava uma vida quase normal. (Foto: Alejandro Kirchuk)
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    Em seu último ano de vida, Mónica permaneceu quase todo o tempo deitada em uma cama ortopédica, totalmente dependente de ajuda e da assistência de seu marido. (Foto: Alejandro Kirchuk)
  • Fotos: Alejandro Kirchuk
    Marcos olha antigas fotografias do casal que mantém na sua carteira. Quando não estava cuidando de Mónica, o avô diz que ficava "absorvido durante todo o dia", conta. (Foto: Alejandro Kirchuk)
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    O carinho recebido pelo marido e os parentes é praticamente a única forma de estabelecer uma relação com Mónica, ainda que por alguns segundos apenas. Segundo estudos, contato físico é tão importante para pacientes de Alzheimer quanto qualquer outro suporte médico. (Foto: Alejandro Kirchuk)
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    Marcos segura a mão de Mónica enquanto passam do quarto à sala de estar. Apesar do cuidado intensivo, Marcos disse que não via outra possibilidade de tratamento. "Diga-me onde ela estará melhor do que aqui? Aqui ela é tratada como uma princesa, aqui ela tem tudo." (Foto: Alejandro Kirchuk)
  • Fotos: Alejandro Kirchuk
    Mónica morreu num dia 13 de julho, nos braços de seu marido, na casa do casal em Buenos Aires, cinco anos após ser diagnosticada com Alzheimer. Marcos visita o túmulo de sua companheira pelo menos uma vez por mês. Nesta foto, Marcos deposita flores no dia do aniversário de Mónica. (Foto: Alejandro Kirchuk)
  • Fotos: Alejandro Kirchuk
    Após a partida de Mónica, Marcos enfrenta provavelmente o momento mais duro de sua vida. Não somente pela solidão e a saudade da esposa, mas pelo desafio de, aos 89 anos, ter de dar início a uma reconstrução. (Foto: Alejandro Kirchuk)

Quando lutar é o que resta

O fotógrafo argentino Alejandro Kirchuk, de 24 anos, registrou durante três anos o cotidiano dos seus avós maternos, após descobrir que a avó travava uma batalha contra o Alzheimer.

A série de fotos revela as mudanças no comportamento da avó, Mónica, e o amor do marido, Marcos, que após o diagnóstico da doença, em 2007, deixou tudo para acompanhá-la até a morte, no ano passado.

"Os protagonistas (desta série) são meus avós. Mas principalmente ele e seu amor por ela", disse Kirchuk à BBC Brasil.

"Para mim, a atitude dele foi um descobrimento especial e que mostrei nas fotos".

A obra foi chamada de La noche que me quieras e ganhou o primeiro lugar do concurso World Press Photo 2011 na categoria "Vida cotidiana". Segundo o fotógrafo, o título é uma referência ao verso que a avó cantava mesmo quando a doença já estava em estágio avançado, do tango El día que me quieras, famoso na voz de Carlos Gardel.

"Isso confirma que os dois viviam uma história de amor", afirmou Kirchuk.

Mónica morreu aos 87 anos de idade e Marcos, que é médico aposentado, tem 89 anos. Ambos ficaram casados durante 65 anos.

Registro detalhado

Kirchuk contou que tirou centenas de fotos do casal. A seleção que enviou ao concurso mostra desde os primeiros momentos da avó com os sinais da doença degenerativa até a etapa terminal.

Quando ele iniciou o trabalho, Mónica sofria de Alzheimer havia dois anos mas levava uma vida quase normal. Porém, recordou o fotógrafo, com falhas na memória.

"Às vezes, ela me reconhecia e às vezes, não. Com o tempo, já não me reconhecia mais. Mas à sua maneira reconhecia meu avô que a acompanhou em cada detalhe do cotidiano."

O fotógrafo diz que a imagem "mais forte" de sua avó é um retrato tirado bastante de perto, quando ela já estava abatida, no ano passado. A foto da avó com olhos que parecem marejados foi tirada dois ou três meses antes de sua morte.

"Era como ela olhava o mundo. Um olhar triste que marcou seu último ano de vida", disse.

Homenagem ao avô

O desfecho da obra é uma imagem de Marcos sozinho olhando o jardim da casa onde morou com Mónica. O fotógrafo registrou e acompanhou Marcos em todos os momentos, inclusive levando flores para a avó no cemitério onde Mónica foi sepultada.

"Esta série é uma homenagem a ele. Ele ficou com ela até o último minuto."

Quando perguntado sobre o que o avô achou do projeto, Kirchuk respondeu que, "no início, ele achou estranho".

"Mas depois soube entender a importância do registro deste amor. E de se poder mostrar ao mundo que este trabalho pode estimular que idosos sejam apoiados em casa e que não sejam enviados para um asilo", afirmou.

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