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'Agradeço por deixar de ser o Pistorius brasileiro', diz Alan Fonteles

Um dia após ganhar a medalha de ouro nos 200 metros rasos da classe T44 na Paraolimpíada de Londres 2012, o brasileiro Alan Fonteles disse, em entrevista coletiva, que aceita o pedido de desculpas do competidor sul-africano Oscar Pistorius.

Alan destacou, no entanto, que de agora em diante pode comemorar o fato de ter saído da sombra de Pistorius.

"Fico muito feliz de estar elevando o meu nome", afirmou o brasileiro. "Não desmerecendo o Pistorius, agradeço muito a Deus por deixar de ser o Pistorius brasileiro."

Pistorius, apelidado de ''Blade Runner'', ficou conhecido mundialmente como o primeiro para-atleta a participar de uma Olimpíada, em Londres.

Franco favorito para a final dos 200 m rasos, o sul-africano ficou na segunda posição e disse que o resultado da prova não havia sido justo por conta do tamanho das próteses do brasileiro.

Nesta segunda-feira, após a repercussão de suas declarações, Pistorius pediu desculpas públicas pelo momento em que fez o comentário.

"Quero continuar a minha amizade com o Pistorius, ele ainda é o meu ídolo", disse Alan, após confessar que ficou magoado com as reclamações do concorrente.

"Não sei se é uma coisa dele, se ele está abalado com o resultado", lamentou o brasileiro. "Só sei que desde ontem as coisas não andam muito bem quando a gente se cruza. Ele não fala, e está um clima chato e estranho."

Rio 2016

A polêmica aconteceu por conta de um aumento de cinco centímetros nas próteses de Alan. No Mundial de Atletismo em Christ Church, na Nova Zelândia, no ano passado, o brasileiro estava com 1,76m de altura.

"Lá, foi feita uma medição da minha envergadura, da altura que eu poderia estar. Eu poderia ficar com até 1,85m, e estou com 1,81m agora", disse Alan, ao lembrar que todas as alterações foram acompanhadas de perto pelo Comitê Paraolímpico Internacional.

O brasileiro contou que começou a treinar com as novas próteses há três semanas.

O coordenador técnico do atletismo do Comitê Brasileiro Paralímpico, Ciro Winckler, diz que atribuir o desempenho somente à prótese é uma injustiça.

“O Alan no último ano mudou a vida dele. Saiu de Belém do Pará, morando com a mãe dele e com o pai. Está morando hoje em São Paulo, treinando em um centro de treinamento, sendo acompanhado por uma equipe multidisciplinar. Então, não é simplesmente botar a prótese e sair correndo. É treinar. É dar duro, sendo acompanhado”, diz Ciro.

Após ganhar do primeiro atleta paraolímpico a participar de uma Olimpíada, uma pergunta parece natural. Alan tem intenções de tentar se preparar para a Olimpíada no Rio, em 2016?

"Não, eu sou atleta paraolímpico, eu vejo que são dois mundos que, querendo ou não, são diferentes", respondeu o brasileiro.

"Claro que ele (Pistorius) está quebrando uma grande barreira", acrescentou. "Fico muito feliz pelo resultado que ele fez e pelas barreiras que ele tem quebrado, mas eu quero fazer a minha história dentro das Paraolimpíadas e, depois de 2016, a gente pensa em uma nova história."

No entanto, ao ser questionado se pode ganhar novamente de Pistorius, Alan diz que sim. Os dois podem se encontrar na final dos 100m rasos e do revezamento 4x100m, na quarta-feira (5/9). Eles também podem se reencontrar na final dos 400m rasos, no próximo sábado (8/9).