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Vidas no batente: Porteiro de Ipanema tem filho fazendo pós-doutorado nos EUA

Aos 18 anos, Damião Aranha fez as malas no interior da Paraíba e partiu para o Rio de Janeiro em busca de oportunidades, seguindo a história de êxodo repetida por muitos nordestinos.

Depois de trabalhar alguns anos na construção civil, Damião encontrou o emprego que o mantém até hoje, aos 78 anos: é porteiro de um edifício em Ipanema, na zona sul do Rio.

Image caption O porteiro Damião completou o ensino fundamental, mas tem um filho que faz doutorado nos EUA.

A rotina de trabalho começa todos os dias às 7h. Depois de 55 anos no prédio, Damião é porteiro chefe, e diz fazer um pouco de tudo. "Qualquer problema que o pessoal não sabe resolver, chama o porteiro, que o porteiro vai lá e resolve", diz.

Ele já poderia estar aposentado, mas diz que o trabalho é um dos segredos para sua saúde e longevidade. "Acho que o trabalho é bom para a saúde da gente. Enquanto a gente tiver força para trabalhar, a gente trabalha."

Damião mora em um apartamento simples na cobertura do prédio, com o filho mais novo, que está cursando o pré-vestibular. Na infância, ele próprio só completou o ensino fundamental - teve que começar a trabalhar na roça aos dez anos para ajudar a levar comida para casa. Hoje, seu filho mais velho está fazendo pós-doutorado em Física nos Estados Unidos. "Nada mal para filho de porteiro", diz, orgulhoso.

Esta é a segunda reportagem de uma série da BBC Brasil que revela perfis profissionais que ilustram mudanças recentes no país.