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Vidas no batente: Após 20 anos, comissária de bordo vê classe média 'decolar'

Rosane Josende trabalha como comissária de bordo há mais de 20 anos. Ao longo de sua carreira, viu muitas transformações na indústria da aviação civil. Acompanhou na pele a falência da Vasp, onde trabalhava, e o surgimento da Gol, para onde foi no primeiro ano da companhia. E viu a classe média decolar.

"Tudo mudou, tudo. Mudou o serviço de bordo, mudaram os passageiros... Antigamente embarcavam mais engravatados. Hoje a gente leva todo mundo no mesmo voo, do porteiro ao empresário", diz Rosane, que tem 43 anos e ainda gostaria de voar por mais outras duas décadas.

Image caption Rosane assistiu a diversas mudanças no setor de aviação civil

Rosane é casada e tem dois filhos, de 5 e 7 anos. Sua jornada de trabalho é mais longa do que a de muitas mães. Ela chega a passar cinco dias fora de casa em viagens pela Gol.

Ela gosta da quebra da rotina e diz não se imaginar em um emprego com horários convencionais, mas precisa de ajuda para administrar a casa à distância. Depois de ter filhos, Rosane se mudou para o bairro Jabour, na zona oeste do Rio, a 35 quilômetros do aeroporto, para ficar mais perto da mãe e da sogra.

E ela diz que ter uma empregada doméstica é fundamental para ajudar a cuidar das crianças. Hoje, suas ambições profissionais são associadas aos dois meninos.

"Eu espero continuar trabalhando por muito tempo para dar um bom estudo para os meus filhos", diz.

Esta é a terceira reportagem da série Vidas no batente, que revela perfis profissionais que ilustram mudanças recentes no país.