Desemprego alimenta 'clima de indecisão' em eleição americana

Atualizado em  30 de outubro, 2012 - 17:19 (Brasília) 19:19 GMT

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Nenhum dos dois candidatos conseguiu tirar vantagem de parcela da população sem trabalho.

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Desemprego / BBC

Desemprego afeta 23 milhões de americanos

A esperança dos dois rivais na corrida pela Casa Branca era que, a essa altura do campeonato, a taxa de desemprego cumprisse o papel de fiel da balança nas eleições americanas.

Em vez disso, é provável que os novos números do desemprego, que serão divulgados na próxima sexta-feira – quatro dias antes do dia 6 de novembro – alimentem o clima de "indecisão" do pleito e não favoreçam nem um nem outro candidato.

Como uma resposta aos analistas que lembravam que nenhum presidente foi reeleito com o desemprego acima de 8%, a taxa baixou em setembro para 7,8%.

É o menor nível desde janeiro de 2009, mas para 12 milhões de americanos sem emprego – e outros 10 milhões de subempregados ou que desistiram de procurar trabalho – a notícia serve de pouco alento.

O passo anual de criação de vagas, às vezes acima, às vezes abaixo de 100 mil por mês, tem sido insuficiente para recompor o poder de compra dos consumidores.

"É um quadro decepcionante, mas não é desesperador", define o economista Christopher Thornberg, da Beacon Economics, em Los Angeles.

"Os dois lados estão tentando usar as suas posições. Os republicanos fazem um grande alvoroço em torno do número de pessoas que abandonou a força de trabalho, enquanto Obama só fala na criação de empregos no setor privado", afirma.

"Estamos em uma situação em que existe uma nuance e nuance, como você sabe, não é bem utilizada em ano eleitoral", acrescenta.

Manipulação

A divulgação dos números positivos do desemprego em setembro foi a deixa para Obama lembrar, em eventos de campanha e peças publicitárias, que 5 milhões de empregos foram criados na economia americana nos últimos dois anos.

Christopher Hornberg / BBC

Para Christopher Hornberg, republicanos e democratas disputam uso eleitoreiro do desemprego

Entretanto, o presidente não menciona que 4,3 milhões de empregos desapareceram da economia nos primeiros anos de seu mandato.

Além do mais, Obama normalmente só menciona os empregos no setor privado – no setor público, o passo é ainda mais lento e o balanço de seu governo ainda é negativo.

A verdade é que poucos especialistas sabem explicar como criar empregos em uma economia que anda a passos lentos – em um contexto internacional de crescimento baixo.

Mesmo Mitt Romney, que promete criar 12 milhões de vagar se for eleito – o equivalente a 250 mil vagas líquidas por mês – nunca explicou como conseguirá esse feito.

Ele apenas dá a entender que será uma consequência de seu plano de cortar os impostos para pequenas empresas e para pessoas com renda acima de US$ 250 mil por mês.

Razões caseiras

Mas mesmo antes da crise, especialistas já vinham discutindo o problema do chamado desemprego estrutural na economia americana – ou seja, a carência de trabalhadores qualificados para vagas de trabalho que requerem mão-de-obra especializada.

Um paradoxo em um dos países mais inovadores do mundo, por exemplo, é a estimativa de que os EUA terão um déficit de 230 mil graduados nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática em 2018.

Incertezas conjunturais dentro da própria economia americana também têm efeito negativo sobre as decisões de investimento – e contratação – das empresas.

A principal delas é a proximidade do chamado "abismo fiscal", o fim de isenções fiscais e o corte automático de gastos do governo a partir de janeiro do ano que vem.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) calcula que, se o Congresso não agir para reduzir o freio brusco do abismo fiscal, o crescimento de 2,3% projetado para a economia americana no ano que vem será menor, provavelmente de menos de 1%.

Nesta semana, o jornal Washington Post noticiou um estudo da Associação Nacional da Indústria, segundo o qual as medidas poderiam elevar a taxa de desemprego para 12% em 2014.

Outras estimativas dizem que a desocupação poderia chegar a 9% no ano que vem se o Congresso não agir para aplainar o abismo fiscal.

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