Senadores criticam tortura em filme sobre caçada a Bin Laden

Atualizado em  20 de dezembro, 2012 - 18:01 (Brasília) 20:01 GMT

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Três parlamentares americanos dizem que 'A Hora Mais Escura' dá a entender, erroneamente, que uso da tortura ajudou a encontrar extremista.

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Três senadores americanos criticaram um recém-lançado filme sobre a caçada a Osama Bin Laden, alegando que a obra dá a entender, erroneamente, que o uso da tortura ajudou os EUA a encontrar o extremista.

"A Hora Mais Escura", dirigido por Kathryn Bigelow (de "Guerra ao Terror"), é um dos favoritos à disputa do Oscar ao retratar o papel de uma agente feminina da CIA (agência americana de inteligência) que investiga o paradeiro do líder da Al-Qaeda.

O filme, que estreia em janeiro no Brasil, tem cenas duras de tortura, inclusive de "waterboarding" (ameaça de afogamento).

Por conta disso, os senadores John McCain (republicano e ex-candidato presidencial), Diane Feinstein e Carl Levin (democratas) escreveram uma carta ao presidente da Sony Pictures, Michael Lynton, criticando o conteúdo do filme e pedindo alterações e esclarecimentos.

A carta diz que o filme também ajuda a "perpetuar o mito de que a tortura é eficiente".

"O filme retrata graficamente agentes da CIA repetidamente torturando detentos e credita a esses detentos provas cruciais (sobre o mensageiro de Bin Laden)", diz a carta dos três parlamentares, que são membros do comitê de inteligência do Senado.

Clumbia Pictures

'A Hora Mais Escura' foi alvo de uma carta de três senadores americanos

"Independentemente de que mensagem os cineastas pretendem passar, o filme claramente dá a entender que técnicas coercivas de interrogatório foram eficientes na obtenção de informações importantes. (...) Revisamos os arquivos da CIA e sabemos que isso é incorreto", prossegue a carta, divulgada na quarta-feira.

"'A Hora Mais Escura' (Zero Dark Thirty, no original em inglês) é factualmente impreciso, e acreditamos que vocês têm a obrigação de esclarecer que o papel da tortura na caçada (a Bin Laden) não é baseada em fatos, mas sim parte da narrativa ficcional do filme."

'Narrativas'

Em entrevista prévia à BBC, Kathryn Bigelow havia dito que "tudo o que é mostrado (no filme) é representativo de narrativas (obtidas) diretamente das fontes".

Em comunicado a respeito da carta dos senadores, a diretora declarou que o filme retrata "uma variedade de práticas e métodos de inteligência polêmicos".

Já o roteirista Mark Boal afirmou que nenhum método por si só foi responsável pela caçada bem-sucedida a Bin Laden.

No entanto, McCain, Feinstein e Levin acreditam que "o problema fundamental é que as pessoas que assistirem ao filme acreditarão que os eventos retratados são fatos".

"Sendo assim, o filme tem o potencial de moldar a opinião pública americana de maneira incômoda e enganosa", dizem os senadores, para quem "o uso da tortura na luta contra o terrorismo trouxe danos severos aos valores americanos".

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