Foto: BBC
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Anistia critica Europa por resposta 'vergonhosa' a crise de refugiados sírios

Image caption Líbano tem 250 acampamentos com refugiados, que agora enfrentam um rigoroso inverno

Os países da União Europeia (UE) deveriam "se envergonhar" pelos números insignificantes de refugiados da Síria que se disseram disposto a acolher, diz o grupo de direitos humanos Anistia Internacional.

Apenas dez países do bloco se ofereceram para acolher refugiados e o total destes chegaria a 12 mil no máximo, reclama a entidade. O Reino Unido e a Itália estão entre os países que sequer ofereceram acolhida.

Mas o governo do Reino Unido diz que mantém o foco na região e que é um dos maiores doadores internacionais. A ajuda da União Europeia atingiu 1,3 bilhão de euros, segundo as autoridades.

O bloco diz que sua prioridade é fornecer ajuda para as pessoas da Síria deslocadas internamente, que seriam 6,5 milhões, e aqueles acolhidos em outros países.

A ONU estima que cerca de 2,3 milhões de sírios fugiram para países vizinhos desde março de 2011.

A maioria dos sírios que fugiram de seu país foi para Líbano, Jordânia, Turquia e Iraque.

Cerca de 6 mil chegaram à Bulgária, um dos Estados membros mais novos da UE, e o país pediu ajuda financeira a Bruxelas para responder ao fluxo.

Em setembro, a Suécia se tornou o primeiro estado membro da UE a oferecer residência permanente a refugiados sírios. Mais de 14 mil sírios buscaram asilo no país nos últimos dois anos.

Alemanha recebeu 1 mil refugiados e tem planos para admitir outros 9 mil.

O Reino Unido diz que não tem planos de reassentar ou fornecer proteção temporária a refugiados sírios, apesar de pedidos de asilo individuais estarem sendo considerados, dependendo do caso.

'Falhou miseravelmente'

"Em vez disso, estamos dando o máximo de ajuda possível para as pessoas da região", disse um porta-voz do governo britânico à BBC, acrescentando que o país gastou 500 milhões de libras em ajuda, um montante superior ao que os outros Estados membros da UE combinados teriam oferecido.

No início deste mês, a UE apresentou planos para tentar impedir que mais imigrantes morram no mar Mediterrâneo, depois que mais de 350 pessoas, muitas delas vindas da Síria, perderam suas vidas em um naufrágio nas proximidades da ilha italiana de Lampedusa, em outubro.

Uma das propostas é a de que os Estados membros enviem aviões para que a UE possa reassentar milhares de pessoas a partir dos campos de refugiados.

A ONU pediu aos países ocidentais para acolher até 30 mil sírios até o final de 2014.

Image caption Mulheres sírias reclamam da falta de ajuda humanitária em região onde crianças andam de chinelos de dedo em pleno inverno

Um montante fixo de 6 mil euros seria pago aos países para cada refugiados reassentado da lista da ONU.

Os líderes da UE vão considerar o pacote em 19 de dezembro.

A Anistia Internacional diz que a UE "falhou miseravelmente" em fornecer um refúgio seguro para os sírios, observando que 55 mil destes conseguiram chegar a algum país europeu para pedir asilo.

Dez países se comprometeram a permitir a entrada de 12 mil pessoas, afirma a Anistia, com 80% do total de ofertas vindo da Alemanha. A França ofereceu 500 lugares e Espanha, 30.

O relatório da ONG também critica as operações "push-back" que visam a reter sírios que viajam a partir da Turquia, observando que a Comissão Europeia aplicou 228 milhões euros para reforçar o controle das fronteiras.

As duras condições enfrentadas pelos refugiados sírios foram destaque esta semana diante das primeiras nevascas no vale de Bekaa, no norte do Líbano, onde dezenas de milhares de sírios estão abrigadas em tendas.

Um total de 838 mil sírios fugiu para o Líbano; estes vivem em acampamentos, edifícios abandonados ou com amigos e familiares.

O clima muito frio também suspendeu uma ponte aérea de alimentos e outros suprimentos humanitários da ONU do Iraque para áreas curdas no nordeste da Síria.

Doze aviões carregados de suprimentos deverão ser enviados ainda antes do que a ONU espera ser o mais severo inverno da região em um século.