Jéssica Tavares Alves
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'Ainda não botei na minha cabeça que ele morreu'

Filha de um dos dez presos mortos na rebelião de 9 de outubro de 2013 no complexo penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, Jéssica Tavares Alves, de 18 anos, diz que Dorgival Nogueira Alves era "um pai carinhoso, um pai que todo filho queria ter".

Ele cumpria pena em Pedrinhas pela segunda vez. Na primeira, de 2000 a 2009, foi sentenciado por tráfico de drogas.

Na segunda, a filha diz que um policial de Mirinzal, no interior maranhense, forjou um flagrante por porte de droga contra o pai para tentar extorqui-lo.

Alves acabou preso e transferido para Pedrinhas outra vez.

A filha diz que o pai não integrava qualquer facção – tanto que, segundo ela, não temia que ele fosse morto em confrontos entre os grupos rivais. Tinha medo, isso sim, que ele morresse por causa de sua saúde frágil: tinha úlcera e jamais se curara plenamente de uma tuberculose contraída na primeira passagem pela prisão.

Por isso, ela diz que, ao ouvir que ele morrera na rebelião, "sabia que não tinha sido morto pela mão de bandido".

"Tem vez que penso que vou ficar doida, porque ainda não botei na cabeça que ele morreu. Pra mim ele ainda não tá morto, ele ainda tá naquele lugar."

Jéssica conta que uma de suas irmãs tem sofrido ainda mais. Cinco dias antes da morte do pai, um amigo de 14 anos da menina tinha sido assassinado.

A irmã soluçava tanto na volta do Instituto Médico Local (IML), onde a família foi reconhecer o corpo do pai, "que até o motorista e o cobrador do ônibus choraram junto".