David Luiz
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Antes de último amistoso, jogadores evitam falar em 'Neymar-dependência'

Image caption Para Fred, Neymar é jogador de ouro

Qual o tamanho da "Neymar-dependência" da seleção brasileira? A pergunta ganhou força após a ótima atuação do atacante no estádio Serra Dourada, na última terça. A BBC Brasil ouviu jogadores importantes da seleção e, apesar do esforço para destacar o "jogo coletivo" e o discurso do "todos são importantes", fica claro que o time, como o país, confia em Neymar para ser o diferencial durante a Copa do Mundo.

Lá se vão 16 meses desde que Luiz Felipe Scolari reestreou no comando técnico da seleção brasileira. Foram 21 jogos até agora, com 15 vitórias, quatro empates e duas derrotas. Dos 58 gols marcados pelo Brasil neste período, 14 foram de Neymar - sem contar a participação em tantos outros.

No primeiro amistoso preparatório para a Copa do Mundo, na última terça, em Goiânia, Neymar fez de falta o primeiro gol contra o Panamá, quando o jogo se mostrava complicado para o Brasil. Ele ainda deu um lindo passe de calcanhar para Hulk marcar o terceiro e fez também a jogada que resultou no quarto, de Willian. Um pequeno, mas vivo exemplo de como a seleção brasileira depende de Neymar.

'Pipoqueiro'

Desde a Copa de 2010, o atacante do Barcelona tornou-se a peça central da seleção brasileira - primeiro com Mano Menezes, depois com Scolari. Já fez 31 gols em 48 partidas com a camisa canarinha, mais do que qualquer outro jogador no século 21. Com apenas 22 anos de idade, ele já é o décimo-primeiro colocado na lista histórica de artilheiros da seleção brasileira.

Apesar de tudo isso, Neymar foi vaiado na última vez que a seleção passou por São Paulo. Em 7 de setembro de 2012, o Brasil venceu a África do Sul por 1 a 0 em jogo marcado pelos gritos de "Fora Mano" (o técnico seria demitido dois meses depois, em novembro) e "Neymar pipoqueiro".

O mesmo estádio do Morumbi será, a partir das 16h desta sexta-feira, o palco do último amistoso do Brasil antes da Copa do Mundo. A adversária será a Sérvia, escolhida por supostamente ter estilo de jogo parecido com o da vizinha Croácia, rival da seleção na estreia, no dia 12 de junho.

Entre especialistas, há uma espécie de unanimidade. Se Neymar não brilhar na Copa de 2014, não haverá hexacampeonato. O sucesso da seleção passa por um grande mês de um jogador que passou longe de ter um grande ano.

Mas uma coisa é jogar bem, de forma consistente, e ter Neymar como o fator decisivo de várias partidas. Outra coisa é simplesmente depender de Neymar para resolver os jogos. O cenário visto em Goiânia não é o ideal: como admitiu Scolari após o amistoso, os primeiros 25 minutos de jogo foram ruins, o plano tático não foi colocado em prática. Neymar abriu o caminho para a goleada por pura genialidade, não como resultado de uma construção coletiva.

A BBC Brasil conversou com jogadores da seleção brasileira sobre a "Neymar-dependência". Apesar de o discurso ser o do jogo coletivo, é nítida a percepção dos próprios atletas de que o Brasil não irá muito longe se sua maior estrela não brilhar.

"É um cara que desequilibra, com a velocidade, o talento que tem. Era normal que no primeiro jogo a gente não estivesse voando. Claro que, com o Neymar desequilibrando, a gente encontra mais rápido o melhor futebol", disse Hernanes. "A gente está sempre à disposição de ajudá-lo. Ele é humilde, sabe ouvir, quer ajudar o grupo na parte coletiva também. A gente está sempre disposto a melhorar, evoluir, ele é muito importante para nós", contou David Luiz, eleito por Scolari como um dos "capitães" desta seleção.

Outro dos capitães e segundo maior artilheiro da era Scolari, o atacante Fred chama Neymar de "jogador de ouro". E destaca que a marcação forte que fatalmente será exercida sobre Neymar pode beneficiar outros jogadores do time.

"O Neymar é o grande jogador nosso, o jogador de ouro, temos que blindá-lo ao máximo dentro e fora de campo. Temos que criar as jogadas para ele desequilibrar, vamos fazer de tudo para dar mais opções para ele se destacar em campo. Mas a marcação sempre será dobrada e aí entra o coletivo. Não será só o Neymar decisivo durante o Mundial inteiro, temos jogadores em todos os setores que podem decidir", disse Fred à BBC Brasil.