Carminho em sessão de gravação para a BBC. Ouça Foto: Rodrigo Pinto
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Conheça a cantora de fado mais famosa no Brasil

A BBC Brasil encerra nesta sexta-feira a série de reportagens apresentando novos artistas da cena musical de Lisboa. No centro das atenções, uma cantora que engrossa a onda de músicos ajudando a renovar o tradicional e mais conhecido gênero português: o fado.

Ao longo das dúas últimas semanas, apresentamos as descobertas do jornalista Rodrigo Pinto, que foi à capital portuguesa investigar por que há tanto interesse internacional na música produzida na cidade. Os artistas destacados atraem a atenção para gêneros além do fado, como o kuduro e até o rock'n roll.

Carminho sai da sala de gravação do estúdio Golden Pony, na Alfama, berço do fado, e se lembra de uma frase do músico e arranjador brasileiro Jaques Morelenbaum.

"Jaquinho diz que é bom fazer um segundo take (gravar outra vez) só para termos certeza de que o primeiro take era mesmo o melhor."

Fadista desde criança, Carminho gravou somente uma vez A Ponte. Esta é a versão que você ouve nesta página.

Quando pequena, ela deixou Lisboa com os pais para viver no Algarve. Lá, sua mãe mantinha uma casa de fados, que colocou Carminho em contato direto com o gênero.

"Mas eu tinha discos de REM, Milton Nascimento, Queen... Só percebi que fado era um gênero, e que não era heavy metal, muito mais tarde", diverte-se.

Carminho é hoje, aos 30 anos, a mais celebrada cantora de fado no Brasil, e uma das mais promissoras de seu país.

Este ano, em suas passagens por grandes cidades brasileiras, a cantora motivou corridas por ingressos, arrancou lágrimas de Caetano Veloso e selou um futuro de colaborações com a música brasileira que se adequam ao repertório dela.

"Caetano fez uma música para mim, com o filho dele. Ouvi, gostei e pedi a ele a canção. Ele disse: 'Claro, Carminho, a canção é sua'".

No dia seguinte à gravação com a BBC, Carminho voltou ao Brasil. Foi participar de uma homenagem a Dona Ivone Lara, sambista magistral.

Na sequência, excursionou pelo Norte da Europa.

Em certo momento de sua carreira, a artista diz que chegou a ter vergonha de cantar fado.

"Naquele momento, o fado era visto como cafona, como vocês dizem no Brasil. E eu queria proteger o fado, porque o amava."

Essa história mudou. O bicentenário e tradicional gênero português parece estar novamente na crista da onda. Como Carminho.

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