Crédito: Le Monde
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Ataques em Paris: vídeo mostra fuga desesperada de casa de shows

Um vídeo gravado por um jornalista francês mostra a fuga desesperada de dezenas de pessoas da casa de shows Le Bataclan, alvo de ataques terroristas na noite de sexta-feira.

As imagens foram registradas por Daniel Psenny, do diário francês Le Monde, da janela de sua casa.

Ao descer para socorrer as vítimas, Psenny acabou ferido por um disparo no braço esquerdo. Ele foi encaminhado a um hospital da região e deveria ser operado na manhã deste sábado.

Contatado pela BBC Brasil, o Le Monde não soube informar o estado de saúde do repórter.

Confira abaixo o relato dele, publicado originalmente no site do jornal francês:

"Estava trabalhando em casa. A TV estava ligada e passava um filme em que Jean-Hugues Anglade (ator francês) representava o papel de um policial. Ouvi um barulho, como se fossem fogos de artifício, e tinha certeza de que era do filme.

Mas o barulho era muito forte, então eu me dirigi à janela. Eu moro no segundo andar, e meu apartamento dá para as saídas de emergência do Bataclan. Às vezes, há evacuações um pouco agitadas, mas ali todo o mundo corria por todos os lados, vi pessoas no chão, sangue...aí percebi que era algo sério. Me perguntei o que acontecia.

Todo mundo corria para as ruas Amelot ou boulevard Voltaire. Uma mulher estava agarrada à janela do Bataclan, no segundo andar. Me lembrei das imagens do 11 de setembro.

Disse a mim mesmo que eu deveria descer para abrir as portas às pessoas para que elas pudessem se refugiar. Então abri a porta do meu prédio. Havia um homem estirado na calçada. Com outro homem que eu não vi novamente, eu o puxei para arrastá-lo para o hall.

Acho que levei um tiro neste momento. Senti como se fosse um fogo de artifício que explodia no meu braço esquerdo, e percebi que escorria sangue. Acredito que o atirador estava na janela do Bataclan.

Subimos e fomos à casa de um vizinho no quarto andar. Uma das pessoas que carregamos tinha uma bala na perna. Ele era americano. Ele vomitava, sentia frio, achei que ele iria morrer. Chamamos os bombeiros, mas eles não podiam nos evacuar.

Liguei para uma amiga que é médica e ela me explicou como poderia fazer um garrote com minha camisa. Ficamos presos até que os tiros parassem e os policias viessem nos buscar."