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Jovens dançam charme em Parque Madureira

Tenho guardada no meu computador uma foto de um grupo de rapazes curtindo o delicioso frescor da água que um chafariz derramava sobre suas cabeças.

Na foto também podem ser vistos outros jovens tomando banho no chafariz com imensa euforia, enquanto outros aproveitam o sol deitados sobre concreto escaldante.

Tirei esta foto em julho de 2012, no Parque Madureira, pouco mais de um mês após ter desembarcado no Rio vinda dos Estados Unidos.

Confesso que o que vi me encheu de esperança e aquele momento, aquela imagem, me fizeram deixar de lado boa parte do meu ceticismo.

Tinha ido ao parque para comprovar pessoalmente os benefícios que diziam que os Jogos Olímpicos de 2016 levariam às áreas carentes, cumprindo a promessa de transformar a cidade.

Pude constatar a enorme transformação que havia sido feita. Uma área que estava abandonada havia sido transformada em um excelente espaço público, em um lindo espaço urbano, que a quatro anos da Olimpíada já era usado pelos moradores.

Para mim aquilo era uma mostra de que a cidade poderia vir a ser realmente um lugar de todos e para todos.

No último sábado, como fazem centenas de outros jovens, Roberto de Souza, de 16 anos, foi ao Parque Madureira com quatro amigos.

Tinham resolvido comemorar o primeiro salário ganho por Roberto no seu novo emprego.

Eram movidos pela felicidade de poder gastar o que haviam recebido em troca de seu próprio suor, em trabalho honesto e decente, um dos maiores símbolos de cidadania. Tinham a alegria de ser participantes ativos de uma sociedade.

Em Madureira, eles se divertiram no parque, uma das grandes promessas de inclusão do Rio, sem ter a menor ideia de que acabariam sendo vítimas da barbárie que ainda é a norma para muitos moradores da cidade.