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Obama, o homem que fez história na América
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Poucos senadores dos Estados Unidos já geraram o burburinho que Barack Obama, senador e presidente eleito dos Estados Unidos, gerou desde que ganhou projeção nacional. Tamanha é a sua projeção que ele já foi considerado “celebridade” e “estrela” – rótulos que em geral não se aplicam a políticos americanos. Obama foi o primeiro negro a ser candidato por um dos dois principais partidos americanos, o Democrata. Esta quarta-feira foi confirmado como o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos. Ele garantiu a indicação democrata após uma longa batalha com a ex-primeira-dama Hillary Clinton – uma disputa que começou em Janeiro e só foi encerrada em Junho. Normalmente, o candidato de um partido no processo das eleições preliminares é definido meses antes. Num pronunciamento feito depois que ficou claro que ele iria ser o candidato, Obama falou que os Estados Unidos vivem “um momento de definições”. “Eu encaro este desafio com profunda humildade e conhecimento das minhas limitações”, disse. “Mas eu também encaro isso com fé ilimitada na capacidade do povo americano.” “Querido” dos media Barack Hussein Obama, de 47 anos, ganhou projeção nacional e internacional num discurso que agitou a Convenção Nacional Democrata em 2004, ano em que John Kerry foi o candidato do partido à Presidência e foi derrotado por George W. Bush, que buscava a reeleição. Filho de um negro queniano com uma branca do Estado do Kansas, Obama ressaltou a sua história pessoal no discurso, em que abordou ideais tradicionais americanos. “Com trabalho duro e perseverança, o meu pai ganhou uma bolsa para estudar num lugar mágico, os Estados Unidos, que foi um farol de liberdade e oportunidades para muitos que vieram antes”, disse. Depois de sua vitória tranquila na eleição para o Senado pelo Estado de Illinois meses depois, ele transformou-se num “querido” dos media e uma das figuras com maior visibilidade em Washington, tendo publicado dois best-sellers sobre a sua vida, aas suas memórias e ideias. Como senador, Obama estabeleceu um histórico de votações alinhado aos liberais do Congresso, mas, ao mesmo tempo, também colaborou com republicanos em áreas como o combate à Sida. Ele ganhou o apoio da poderosa apresentadora americana Oprah Winfrey, que não apenas lhe pediu que anunciasse sua candidatura à Presidência no seu programa de entrevistas como também decidiu fazer campanha por ele. Quase 30 mil pessoas foram a um comício de Oprah e Obama em 2007 na Carolina do Sul, no qual a apresentadora disse que o senador tinha “um talento para a eloquência e a língua mergulhada na verdade nua e crua”. Raízes internacionais O pai de Obama, também chamado Barack Obama, nasceu no Quénia, onde foi pastor de cabras, e um dia conseguiu uma bolsa para estudar no Havai. Foi ali que o queniano conheceu a mãe de Obama, que estava a viver em Honolulu. Quando o futuro presidente eleito dos EUA era um bebé, o seu pai teve a oportunidade de estudar na conceituada Universidade de Harvard, no Estado americano de Massachusetts, mas não tinha dinheiro para levar a família. Depois, voltou a viver no Quénia, onde trabalhou como economista para o governo, e o casal divorciou-se. Quando Obama tinha seis anos, a sua mãe casou-se de novo, desta vez com um indonésio, e ela e o filho mudaram-se para Jacarta. Embora o seu pai e o seu padrasto fossem muçulmanos, Obama é cristão e estudou em escolas católicas durante os quatro anos em que viveu na Indonésia, onde a maioria da população segue a religião islâmica. Depois do período na Indonésia, Obama voltou a morar no Havai, onde foi viver com os seus avós maternos.
O futuro senador estudaria Ciências Políticas na Universidade Columbia, em Nova York, e depois mudou-se para Chicago. Em 1988, Obama deixou a cidade que se tornaria a sua base política para estudar Direito em Harvard. De volta a Chicago, ele praticou direito, defendendo vítimas de discriminação, e foi eleito senador estadual em Illinois em 1996, ocupando o cargo até 2004. Ele é casado com uma advogada, Michelle. O casal tem duas filhas, Malia e Sasha. Controvérsia Durante a campanha, Obama também foi acusado de envolvimento com figuras consideradas polémicas. O senador foi frequentador da igreja Trinity United Church of Christ de Chicago por quase duas décadas, mas decidiu afastar-se dela em Maio de 2008 depois que a imprensa começou a divulgar sermões do seu pastor na igreja, Jeremiah Wright. Wright certa vez disse que Deus deveria amaldiçoar os Estados Unidos por tratar os negros como “menos que humanos”. Ele também fez outras declarações controversas que revoltaram setores da sociedade americana. Procurando amenizar a polémica, Obama fez um discurso em que abordou diretamente o problema racial nos Estados Unidos, pedindo ao país que se unisse e deixasse para trás a sua histórica desigualdade. “A raiva é real, é poderosa, e simplesmente desejar que ela desapareça, condená-la sem entender as suas raízes, apenas faz aumentar o abismo de desentendimento que existe entre as raças”, disse. Obama também foi acusado de ter ligações com William Ayers, acusado de planejar explosões nos Estados Unidos nos anos 60, e com um académico palestiniano, Rashid Khalidi, qualificado de “radical” pelos republicanos. Mas, em todos os casos, as alegações não chegaram a prejudicar de forma contundente a campanha do democrata. Política externa e economia Na área da política externa, Obama sempre foi um crítico da guerra no Iraque. Vários meses antes da invasão americana, em 2003, ele veio a público criticar a possibilidade de uma ofensiva no país. Durante a campanha, ele prometeu começar a tirar os soldados americanos do Iraque assim que ele assumisse a Presidência, trazendo de volta aos Estados Unidos um batalhão por mês. O objetivo seria acabar completamente com a presença militar americana no Iraque em 16 meses. A sua disposição em iniciar um diálogo com os líderes do Irão sem impor qualquer pré-condição foi considerada “imprudente” por McCain. Durante 2008, por causa da crise financeira global, a economia substituiu a política externa como a principal preocupação dos eleitores americanos. Para combater a crise, Obama propôs lançar um “pacote de resgate económico para a classe média”, com previsão de um aumento de US$ 60 mil milhões nos gastos do governo para ajudar pessoas, empresas e Estados afectados pela crise. Nome errado Obama quebrou todos os recordes de arrecadação de fundos de campanha, usando a internet para pedir contribuições pequenas ao mesmo tempo que procurava contribuições maiores de empresas. O seu sucesso veio, apesar dos boatos persistentes de que ele seria muçulmano – algo que sempre negou – e das críticas de que seria inexperiente demais para assumir o cargo. Durante a sua vida, Obama sempre fez piadas com o facto dos americanos em geral terem dificuldade em pronunciar o seu nome correctamente, optando por chamá-lo de “Alabama” ou “Yo Mama”. Mas, com a sua ascensão, agora, dificilmente qualquer pessoa no país vai ter problemas com isso. |
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