Coronavírus: a polêmica sobre dados de covid no Brasil que levou universidade a tirar país de ranking

Mapa da covid-19 JHU

Crédito, Reprodução

A Universidade Johns Hopkins chegou a excluir, neste sábado (6/6), o Brasil de seu levantamento global sobre coronavírus, mas reinseriu os dados sobre o país em seguida.

A exclusão veio um dia depois de o Ministério da Saúde mudar a maneira como divulga os dados de casos e mortos pela doença.

Em nota à BBC News Brasil, a prestigiosa instituição de ensino disse: "Sobre a contagem de casos do Brasil, o Ministério da Saúde brasileiro suspendeu a divulgação de dados de sua plataforma https://covid.saude.gov.br/. Até que esses dados voltem a ser divulgados, estamos usando os mais recentes que temos, de 4 de junho. Quando esses dados ficarem disponíveis, vamos corrigir as informações em nosso site".

Alguns minutos após enviar a nota, o Brasil voltou a aparecer no ranking. A universidade informou que "teve que se adaptar à nova maneira que o Ministério adotou de notificar os dados".

A página da universidade faz um ranking diários de casos de coronavírus pelo mundo. O Brasil foi retirado temporariamente do ranking mundial, mas ainda era possível encontrar dados sobre as cidades brasileiras, porém, eles estão desatualizados.

O painel covid-19, que a Universidade John Hopkins cita, ficou fora do ar por algumas horas na sexta-feira (5/6).

O site costumava trazer diversos dados e gráficos sobre a doença, incluindo o total de mortos e de casos confirmados, mas agora traz apenas os dados das últimas 24 horas.

Atrasos e mudanças na divulgação de dados

Pule Podcast e continue lendo
Podcast
BBC Lê

A equipe da BBC News Brasil lê para você algumas de suas melhores reportagens

Episódios

Fim do Podcast

A divulgação dos dados sobre a covid-19 no país passou por contratempos e mudanças nesta semana. Normalmente, os dados eram enviados à imprensa por volta das 19h. Na quarta-feira (3), foi enviada uma mensagem a jornalistas afirmando que, por "problemas técnicos", as informações seriam enviadas "excepcionalmente" às 22h.

No dia seguinte, quinta-feira, os dados só chegaram às 22h, mas desta vez sem qualquer justificativa quanto ao horário.

Nesta sexta-feira (5), o ministério enviou uma mensagem informando que os números sairiam às 22h, argumentando que os "dados de casos e óbitos são informados pelas secretarias estaduais e municipais de saúde", que são então analisados e consolidados pela pasta e em alguns casos precisam "de checagem junto aos gestores locais".

Em entrevista à noite, perguntado sobre alterações no horário de divulgação, Bolsonaro brincou com o horário do Jornal Nacional, da TV Globo, normalmente exibido por volta de 20h30.

"Acabou matéria no Jornal Nacional?", disse, rindo.

"Mas é para pegar o dado mais consolidado, e tem que divulgar os mortos no dia. Por exemplo, ontem, praticamente dois terços dos mortos eram de dias anteriores, os mais variados possíveis. Tem que divulgar o do dia. O resto consolida para trás. Se quiser fazer um programa do Fantástico todinho sobre mortos nas últimas semanas, tudo bem."

Também houve alteração no tipo de dado informado à imprensa. Nesta sexta-feira, o boletim não trouxe mais números totais de mortes e casos de covid-19 — apenas dados para as últimas 24 horas. Assim, veículos como a BBC News Brasil estão fazendo cálculos manualmente, com base em informações dispersas ao longo dos dias.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!