Paquera ou assédio?

Uma das coisas de que mais gosto quando passo férias no litoral paulista é correr na praia.

Escapo da minha família por uma hora - a hora do pôr do sol - e corro sozinha e descalça na areia.

Nunca poderia fazer isso na Inglaterra, onde nasci. Além de gelada, a areia, na maior parte das praias, é um campo minado de pedras e conchas.

Recentemente, em meio ao calor que tomou conta do país, resolvi seguir meu ritual, só que sem as roupas que geralmente uso. Fui de biquíni. Não tardou para começar o assédio verbal.

Direito de imagem Yara Rodrigues Fowler

"Gostosa!" foi a primeira de muitas palavras – algumas impublicáveis - que ouvi acompanhadas daquele olhar de um faminto que não vê um churrasco há anos.

Sem coragem de xingar ou de enfrentar de alguma maneira meus "admiradores", acabei desistindo da corrida.

Mulheres também podem ser alvo de assédio na Inglaterra, mesmo de luva, sobretudo e chapéu. O que me deu raiva foi ver jovens rapazes fazendo seus esportes na praia de sunga, torso suado sem camisa, pulando e correndo em paz, sem ter que ouvir um único assobio.

Imagino que muitos aqui defendam que o que chamo de assédio verbal seja simplesmente uma forma inofensiva de paquera.

Mas minha opinião é de que isso reflete um machismo que já foi superado em várias outras áreas da sociedade brasileira. Qual sua opinião?