Descobrindo o feminismo em geração que cresceu com Xou da Xuxa

Nesses meus quase quatro anos na Universidade de Oxford, assisti e participei do que vem sendo chamado de repopularização do feminismo.

Temos discussões e eventos quase diariamente, revistas, blogs e até DJs feministas. Esse movimento, no entanto, foi criticado recentemente - e a crítica tinha razão - por ser exclusivo demais.

Ele não representava a experiência das mulheres que não faziam parte da elite branca, heterossexual e de classe média, o que acabava reproduzindo o sistema que oprime quem está fora desse clube.

A internet amplificou as vozes críticas. As tags #solidarityisforwhitewomen ("solidariedade é só para mulheres brancas"), e #lifeofamuslimfeminist ("vida de uma feminista muçulmana") se espalharam pelo Twitter.

A crítica já começa a surtir efeito. Em janeiro, foram fundados os primeiros grupos feministas para mulheres negras estudando em Oxford, por exemplo.

Direito de imagem Yara Rodrigues Fowler
Image caption Zaíra Pires, cofundadora do site Blogueiras Negras

Para entender essa tendência no Brasil, eu entrevistei Zaíra Pires, cofundadora do site Blogueiras Negras.

No site, experiências e opiniões diversas mostram que a vertente mais democrática do feminismo também está viva no Brasil.

Quem entrar ali encontrará depoimentos emocionantes, como o de Dulci Lima sobre o papel que sua mãe teve em sua consciência racial e como foi crescer como uma menina negra durante o apogeu do Xou da Xuxa. Leia aqui.

Ou o interessante texto de Charô Nunes intitulado "Deixar de ser racista, meu amor, não é comer uma mulata", com cinco elogios racistas que mulheres negras frequentemente ouvem.

E, mais especificamente sobre o tema deste blog, o texto de Márcia Vasconcelos sobre o que poderia ser chamado de racismo do feminismo tradicional. Leia aqui.

Zaíra me explicou que o feminismo no Brasil também está mudando substancialmente. Atinge "mais pessoas, mais mulheres, se torna mais palatável, mais divertido e muito mais efetivo, uma vez que muito mais mulheres e homens têm a oportunidade de conhecer suas teorias".

Zaíra credita as mudanças em parte ao poder da internet. "Blogs e redes sociais são plataformas poderosas", disse. Aprendi muito com o site Blogueiras Negras nesta viagem ao Brasil.