Atlético cai, mas mostra coração e futebol. Já Corinthians e São Paulo…

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Image caption O Atlético Mineiro de Jô fez por merecer os aplausos de seus torcedores

Três brasileiros estão fora da Copa Libertadores da América. Sobram dois, e dois que terão vida muito dura nas quartas de final. O Inter, contra o bom Santa Fé, da Colômbia. E o Cruzeiro, que vai sofrer seja contra o Boca Juniors ou contra o River Plate.

Mas esse post é sobre derrotados, não vitoriosos.

O Atlético Mineiro faz por merecer os aplausos de seus torcedores. Empatou com o Inter em Belo Horizonte por 2 a 2 na ida, perdeu por 3 a 1 no Beira-Rio. Mas esteve perto, em muitos momentos, de dar a volta na eliminatória. Ainda teve um gol anulado em Porto Alegre e reclama de um pénalti em Jô, dois lances discutíveis, mas não tão claros. Reclamar faz parte da frustração.

É um time que pouco tem a ver com o Galo campeão da América dois anos atrás, mas que mantém uma característica: a recusa em perder. O Internacional tem mais elenco e melhores jogadores que o Atlético, mas sofreu. Sofreu, porque qualquer um sofre e sofrerá para bater o Galo enquanto a coragem continuar no sangue.

Com 2 a 1 abaixo no Beira-Rio, o Atlético teve bola no travessão e levou perigo em muitos momentos. Um erro de Dátolo, um jogador que vem sendo mais criticado do que merece pelo próprio torcedor, decretou o fim da eliminatória.

Os dois jogos entre Inter e Atlético foram bastante, mas muito mesmo, superiores taticamente aos outros envolvendo clubes brasileiros. Nestes dois ainda há o problema de times muito espalhados e defesas expostas, o que é crônico no futebol brasileiro, quando comparamos com o europeu. Mas, apesar disso, houve intensidade, a luta por todas as bolas, o comprometimento dos 22 jogadores com funções ofensivas e defensivas e bom nível técnico. Foram jogos que deixam pouco a dever.

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Uma nota positiva para o técnico uruguaio do Inter, Diego Aguirre. Apesar da ótima atuação no primeiro jogo, fez mudanças para o segundo. E foi corajoso ao tirar Jorge Henrique, nesta quarta, poucos minutos depois de ter colocado o meia em campo. Estava comprometendo defensivamente. Tchau, vestiário. É importante que técnicos atuem mais e chorem menos, será benéfico ao futebol brasileiro.

Levir Culpi também foi corajoso, arriscou e mudou o Atlético de forma inteligente no segundo tempo. Incomodou, embaralhou, acuou o Inter. Mas não teve prêmio.

Tudo de bom que vimos nos jogos entre estes dois times contrasta com as eliminações de Corinthians e São Paulo, os badalados dois dos três clubes mais ricos do Brasil.

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Image caption O São Paulo de Luis Fabiano não foi apático, mas teve partida de verdadeira calamidade tática

O Corinthians, que tão bem começou a temporada e é forte favorito ao Campeonato Brasileiro, ainda mais agora, sofreu uma eliminação vexatória para o um clube pequeno, pobre, sem tradição, sem muita coisa. Basta dar uma olhada nos orçamentos. Que o Corinthians perca para o Guaraní do Paraguai é comparável a um Chelsea perder nas oitavas de final da Champions League para um Apoel do Chipre. Pouco aceitável.

Zero gols em dois jogos, duas expulsões bestas e uma apatia digna de vaias. É ótimo que, ao contrário do que vimos em outros tempos, a torcida não tenha invadido campo, quebrado tudo, aquelas coisas lamentáveis. Mas confesso que os aplausos ao time ao final da partida em Itaquera me pareceram um sintoma preocupante. Me causam relativa surpresa. Torcedores estão ficando tão condicionados a comemorar renda e número de sócios que se esquecem de cobrar (positivamente e sem violência, reforço) resultados e esforço dos atletas.

Foi uma eliminatória vergonhosa e longe de heróica do Corinthians, que jogou até com certo desprezo no Paraguai e pagou o preço.

É claro que o "menosprezo" foi negado por todos os envolvidos. Mas convém lembrar que menosprezar um adversário não é apenas adotar o discurso de "vamos ganhar com o pé nas costas". Passa também por não ter a devida mentalidade, preparação, respeito profundo.

Já o São Paulo não teve a apatia que o Corinthians mostrou em três dos quatro tempos de seu confronto, mas teve uma partida de verdadeira calamidade tática em Belo Horizonte, contra o Cruzeiro. Se para um faltou coração, para outro faltou muito futebol.

O clube do Morumbi teve azar por perder Muricy Ramalho, que nunca esteve presente na temporada. Mas sobra empáfia a dirigentes que acreditaram que um eterno interino levaria o São Paulo a um título da América. Fala-se como se somente três ou quatro nomes tivessem a grandeza para dirigir o clube.

O Cruzeiro matou o São Paulo de forma simples, atacando por um setor, o direito. Chega a ser surreal que o time paulista não tenha nem tentado, ao longo do jogo todo, eliminar a ameaça por ali. As substituições no segundo tempo não tiveram propósito.

Só não aconteceu uma goleada no Mineirão porque o Cruzeiro também é um time com limitações, ainda em construção, longe da máquina azeitada que ganhou dois títulos nacionais seguidos.

Uma pena para Rogério Ceni, que estava genuinamente sentido – ao contrário de outros – ao final da partida, sua última em nível internacional.

Assim como o Corinthians, no entanto, o São Paulo não merece aplausos pela Libertadores que fez. Do tal grupo da morte, vejam só que ironia. Morreram todos.