Polícia pediu que chefe da Fórmula 1 acompanhasse sequestro à distância

Images dos suspeitos gravadas por câmeras de segurança Direito de imagem Divulgação
Image caption Criminosos foram flagrados por câmeras de segurança no momento do sequestro

Bernie Ecclestone, o bilionário de 85 anos, chefe executivo da empresa que controla a Fórmula 1, não participou diretamente da negociação para a libertação de sua sogra, sequestrada no último dia 22. Aparecida Shunck Flosi Palmeira foi libertada por equipes do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) da Polícia Civil de São Paulo, na noite de domingo.

Ecclestone e sua mulher Fabiana Flosi, de 38 anos, teriam manifestado o desejo de ir ao Brasil acompanhar a evolução do caso, mas permaneceram na Grã-Bretanha, seguindo orientação de policiais. Havia o temor de que a negociação do resgate se tornasse mais difícil com a presença do bilionário no país.

O empresário também foi orientado a não colocar uma empresa privada internacional no caso.

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Image caption Bilionário acompanhou evolução do sequestro de sua sogra de fora do Brasil por sugestão da polícia

O valor requisitado pelos criminosos teria sido de 28 milhões de libras - o equivalente a R$ 120 milhões, segundo publicou a revista Veja. Mas a informação não foi confirmada pela polícia.

Uma fonte ligada à investigação disse à BBC Brasil que Aparecida foi libertada antes do sequestro ser pago.

O chefe da Fórmula 1 conheceu a advogada Fabiana durante uma edição do Grande Prêmio do Brasil. Três anos depois, em 2012, ele se separou de sua ex-mulher, a modelo croata Slavica Radic, e se casou com Fabiana.

Os dois passaram a viver na Grã-Bretanha, mas os pais da advogada nunca se mudaram da casa em que já viviam, em Parelheiros, próximo ao autódromo de Interlagos. Segundo uma vizinha que pediu para não ser identificada, a família não usava guarda-costas ou tomava medidas aparentes de segurança.

"Nós costumamos conversar porque moramos muito próximo. Ela (Aparecida) costumava me mostrar fotos, é muito orgulhosa das filhas, que são muito bonitas", disse uma vizinha.

Santinho

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Image caption Dois suspeitos foram presos em operação policial que libertou sogra de Bernie Ecclestone

Aparecida foi sequestrada em sua casa no último dia 22. Segundo testemunhas, criminosos se passaram por entregadores e invadiram a residência no início da tarde.

A sogra de Ecclestone e duas empregadas foram feitas reféns. As duas funcionárias foram trancadas em um cômodo e os criminosos fugiram de carro levando a vítima.

"Uma outra empregada da casa da frente estava no quintal e ouviu uma empregada gritar que haviam levado a Cida", disse a vizinha.

A Divisão Anti Sequestro do DHPP entrou no caso e passou a levantar pistas até conseguir identificar e monitorar membros da quadrilha.

Na tarde de domingo, o local do cativeiro foi encontrado: era um sítio em Cotia, cidade situada nos limites de São Paulo. O local foi invadido pela polícia.

"A vítima não se feriu e prendemos dois suspeitos. Um deles já tinha passagem na polícia por roubo", disse a diretora do DHPP, Elisabete Sato.

Ao chegar à delegacia, Aparecida reencontrou o marido, sua outra filha e seu genro.

Aparecida contou aos policiais que foi autorizada pelos sequestradores a levar ao cativeiro a imagem de um santo (não se sabe qual e se era uma figura ou estatueta). Sua fé e o santinho teriam dado a ela força para resistir às dificuldades.

Na porta do DHPP, ela disse à imprensa local pedir que ninguém mais seja sequestrado em São Paulo e agradeceu aos policiais que a libertaram.

Mais prisões

Nesta segunda-feira a polícia prendeu um terceiro suspeito, que seria o mandante do sequestro.

Ele é um piloto de helicópteros que trabalhava para Ecclestone nas corridas de F1 no Brasil. Ele também foi encontrado em Cotia.

A polícia investiga agora se há mais pessoas relacionadas ao sequestro, pois a quadrilha tinha informações privilegiadas sobre a vítima.