Bala certeira de atirador míope salva Brasil no primeiro dia da Rio 2016

Wu obteve primeira medalha brasileira no tiro desde 1920 Direito de imagem Getty Images
Image caption Wu obteve primeira medalha brasileira no tiro desde 1920

Um atirador que sofre de miopia dos dois olhos foi certeiro para salvar o Brasil no primeiro dia de competições na Rio 2016.

A prata de Felipe Wu na categoria pistola de ar 10m do tiro esportivo neste sábado evitou que o país passasse em branco depois de um dia de frustrações no judô, quando Sarah Menezes e Felipe Kitadai não chegaram ao pódio.

O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) definiu como meta para a equipe nacional na Rio 2016 terminar entre os 10 países com mais medalhas, algo nunca antes conseguido pelos atletas brasileiros.

A equipe brasileira precisar superar, e bem, as 17 medalhas obtidas em Jogos de Londres (2012), o melhor resultado em Olimpíadas e isso inclui buscar medalhas fora dos esportes que tradicionalmente trazem pódios.

Wu fez sua parte, já que o tiro brasileiro não conquistava uma medalha há 96 anos – nos Jogos de Antuérpia, em 1920, foram um ouro e uma prata individuais, além do bronze por equipes.

O paulista, neto de chineses, vive dias nem tão diferentes que o de Guilherme Paraense e Afrânio Costa, que conquistaram suas medalhas com armas e munições emprestadas da equipe americana, depois de parte do equipamento brasileiro ter sido roubada durante a viagem até a Bélgica. Nem por isso, Wu tem a vida facilitada. A começar pelo fato de que, aos 23 anos, está abaixo do limite de 25 anos estabelecido pela legislação brasileira para o porte de arma, mesmo para a prática do esporte.

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Image caption Wu consegue praticar esporte apenas com permissão especial do exército

Ele só consegue treinar e competir porque é atleta do exercito, que lhe dá uma permissão especial e que também precisa ser aplicada para a compra de equipamento e sua liberação pelas autoridades alfandegárias.

Outra dificuldade é o lado financeiro. O tiro é um esporte caro e Wu vive com um salário de menos de R$ 5 mil por mês, composto pelo soldo do Exército e uma bolsa do Governo Federal. Ele não teve local apropriado de treinos durante boa parte do ciclo olímpico: usou o quintal da casa dos pais em São Paulo, onde montou um estande, mede apenas 7 metros.

“É uma honra conquistar essa medalha no Brasil e espero que o esporte se torne mais popular e mais profissional também. As pessoas precisam olhar um pouco mais para o tiro esportivo. Batalhamos muito para estar aqui”, disse o paulista no sábado.

Na quarta-feira, Wu disputa a categoria pistola de ar 50m. Sua pontaria poderá novamente ser muito necessária para manter o Brasil no rumo do top 10.

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