Impedidos de embarcar, nadadores dos EUA devem ser ouvidos hoje pela PF

Jack Conger e Gunnar Bentz são levados para posto da Polícia Federal no Aeroporto Internacional Tom Jobim Direito de imagem AFP
Image caption Jack Conger e Gunnar Bentz são levados para posto da Polícia Federal no Aeroporto Internacional Tom Jobim

Esta reportagem foi publicada originalmente na manhã desta quinta-feira, horas antes de uma investigação preliminar da polícia contestar a versão de assalto à mão armada. Veja aqui os últimos desdobramentos do caso.

A Polícia Federal deverá ouvir nesta quinta-feira três nadadores americanos que dizem ter sido vítimas de um assalto à mão armada no Rio de Janeiro.

O caso ganhou novos contornos de drama nesta madrugada, quando Bentz e Jack Conger foram impedidos de embarcar em um voo que saía do aeroporto internacional do Galeão para os Estados Unidos.

Eles foram levados a um posto da polícia no aeroporto e liberados após algumas horas, "com as concordância de que continuarão a discutir o incidente na quinta-feira", disse o Comitê Olímpico americano.

Os dois não tinham prestado depoimento anteriormente. Ambos fizeram parte do grupo que levou ouro nos 4 x 200 m livre masculino - eles não nadaram a final, entretanto.

Um terceiro nadador, James Feigen, "pretende dar seu depoimento sobre o incidente também na quinta-feira", disse o comitê. Na quarta-feira, a Justiça do Rio tinha determinado a apreensão do passaporte dele e de uma estrela da equipe, Ryan Lochte.

Lochte, que acumulou 12 medalhas olímpicas em sua carreira, já está nos Estados Unidos.

Seu advogado, Jeffrey Ostrow, disse à BBC que o nadador retornou antes da expedição das decisões judiciais.

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Image caption Conger e Bentz foram levados a um posto da polícia no aeroporto e liberados após algumas horas

"Nunca foi requisitado que ele permanecesse para mais investigações ou para quaquer outra finalidade, depois de dar seu depoimento às autoridades brasileiras."

Lochte é um dos nadadores mais bem sucedidos da delegação americana, que já teve até seu próprio reality show. No Rio, ele nadou em duas provas, levando o ouro no revezamento 4 x 200 m estilo livre.

'Contradições'

Os nadadores disseram ter sido vítimas de uma assalto à mão armada durante uma falsa blitz policial no domingo de madrugada, quando voltavam de uma festa no Club de France, casa temática francesa na Lagoa.

Porém, a polícia disse não ter encontrado até agora indícios de que o incidente ocorreu.

Além disso, os investigadores detectaram inconsistências e contradições nos depoimentos que ouviram até agora de Lochte e Feigen.

Feigen disse que o grupo deixou o Club France às 4h. Mas segundo o jornal Extra as câmeras do local mostram os nadadores deixando o local às 5h50. Outras imagens de câmeras de segurança, divulgadas pelo jornal Daily Mail, mostraram os nadadores chegando à Vila Olímpica às 6h56 de domingo, passando descontraídos por uma revista em aparelho de raio-X.

Em outra contradição apontada por veículos de imprensa, Feigen disse ter visto um homem armado na abordagem, enquanto Lochte diz ter observado mais de um. As informações não foram confirmadas nem negadas pela Delegacia Especial de Atendimento ao Turista, que cuida do caso.

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Image caption Ryan Lochte foi um dos principais nadadores da equipe americana na Rio 2016

A confirmação do incidente em si já havia sido problemática. Inicialmente, Lochte contou o caso à rede de TV americana NBC; o Comitê Olímpico dos EUA negou o incidente.

Mas, posteriormente, a mãe do nadador o confirmou, falando ao jornal USA Today e à rede Fox Sports Australia. Os atletas não haviam prestado queixa.

"Fomos parados, e esses caras vieram com carteiras da polícia - sem sirene, sem nada, só com carteiras da polícia. Eles sacaram as armas, mandaram os outros nadadores irem para o chão e eles se abaixaram. Eu me recusei, pensei, não fiz nada de errado, não vou me abaixar", disse Lochte à NBC.

"Então um cara puxou a arma, preparou, colocou na minha testa e disse 'Se abaixa'. E eu levantei os braços, pensei, tanto faz."

Após o retorno aos EUA, entretanto, Lochte deu uma nova entrevista à NBC mudando sua versão inicial. Ele disse que o assalto ocorreu durante uma parada do táxi em que viajavam em um posto de gasolina - ou seja, o carro não teria sido parado em uma blitz. Lochte disse ainda que a arma não tinha sido colocada na sua testa.

O nadador disse que as inconsistências no primeiro relato teriam saido causadas pelo estresse e trauma do incidente.

Repercussão mundial

O caso repercutiu mundialmente e levantou mais preocupação sobre a segurança de atletas e turistas no Rio, que já conta com uma força de 85 mil agentes atuando na cidade em razão da Olimpíada.

Nesta quinta-feira, a delegação britânica confirmou que um de seus atletas também foi vítima de assalto no Rio de Janeiro.

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