Como votaram os aliados de Cunha em foto icônica de 2015

Aliados comemoram com Eduardo Cunha a eleição à Presidência da Câmara em 2015 Direito de imagem Laycer Tomaz / Agência Câmara
Image caption Aliados comemoram com Eduardo Cunha a eleição à Presidência da Câmara em 2015

De 17 aliados fotografados ao lado de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em uma icônica foto do ano passado, sete votaram a favor da cassação do agora ex-deputado.

Dos dez restantes, dois votaram contra (a cassação) e oito se ausentaram - um discreto sinal de apoio tácito.

A foto foi tirada em fevereiro de 2015, logo após Eduardo Cunha ser eleito presidente da Câmara com o voto de 267 colegas.

Um ano e meio mais tarde, os que se mantiveram firmes ao lado de Cunha, votando contra a perda de mandato do ex-presidente da Câmara, foram Paulinho da Força (Solidariedade-SP) e João Carlos Bacelar Filho (PR-BA).

Paulinho foi um fiel integrante da chamada "tropa de choque" de Eduardo Cunha ao longo dos dez meses em que o processo contra ele tramitou no Congresso. Também defendeu o peemedebista votando contra a admissibilidade do processo no Conselho de Ética.

O parecer favorável à cassação, entretanto, acabou aprovado e sua tramitação levou, no fim das contas, à punição a Eduardo Cunha na noite da segunda-feira.

Cunha foi cassado e perdeu os direitos políticos até 2027 por falta de decoro parlamentar, ao negar ter contas no exterior durante depoimento na CPI da Petrobras, no ano passado. A informação foi desmentida quando o Ministério Público da Suíça informou seus pares brasileiros sobre milhões depositados no país europeu em seu nome.

Além de Paulinho da Força, o deputado baiano João Carlos Bacelar Filho também compareceu à sessão da Câmara e votou contra a cassação do ex-deputado fluminense. Ele também havia votado contra a admissibilidade do processo contra Cunha no Conselho de Ética.

Ausentes

Entre os 17 deputados presentes na foto marcante, oito se ausentaram da sessão de cassação - tacitamente dando seu apoio a Cunha.

Entre eles estão Hugo Motta (PMDB-PB), escolhido como presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras, e Jovair Arantes (PTB-GO), que foi o relator da Comissão do Impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff na Câmara.

Outra ausente foi a deputada Soraya Santos (PMDB-RJ), que ganhou a presidência da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara durante o período em que Cunha estava no comando da Casa.

Em setembro de 2015, quando o ex-deputado foi acusado pela Operação Lava Jato de receber propina, ela participou de um churrasco de apoio a ele organizado por peemedebistas e fez um discurso em prol do colega.

O não comparecimento desses parlamentares à sessão pode ser visto como um apoio a Cunha porque a defesa do ex-deputado contava com a falta de quórum para adiar a votação.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), havia dito que a sessão só iria adiante com pelo menos 400 parlamentares.

Cunha foi cassado com 450 votos a favor, 10 contra e nove abstenções - um total de 469 votos.