'Fosso' entre acusação e prova põe em xeque futuro da Lava Jato, diz jornal dos EUA

O procurador Deltan Dallagnol acusa Lula de ser o 'comandante máximo' do esquema de corrupção envolvendo a Petrobras Direito de imagem EPA
Image caption O procurador Deltan Dallagnol acusa Lula de ser o 'comandante máximo' do esquema de corrupção envolvendo a Petrobras

Os promotores que apresentaram denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fizeram uma "litania" de acusações, mas foram econômicos ao apresentar as provas - o que pode colocar em xeque o futuro da Operação Lava Jato.

Assim descreve o diário americano Chicago Tribune a entrevista coletiva do Ministério Público Federal do Paraná transmitida ao vivo pela TV na quarta-feira.

O jornal repercute, assim como os principais jornais estrangeiros, as acusações levantadas contra o ex-presidente.

Mas, se as denúncias já eram esperadas, a linguagem utilizada pelos promotores foi "impressionante", descreveu o jornal.

Os promotores classificaram o petista como "comandante máximo", "maestro", "grande general" do megaesquema de corrupção que envolve a Petrobras e distribuição de cargos públicos, classificada pela promotoria com o neologismo "propinocracia" ou "um governo regido pela propina".

Para o Chicago Tribune, "o fosso escancarado entre as acusações verbais e as denúncias (formais) levantaram questões sobre o futuro da investigação".

Se por um lado as "acusações drásticas" podem ajudar os promotores a manter o caso em sua jurisdição, por outro implicam "riscos" de que a investigação seja vista como politizada.