Para jornal, 'palco está montado para julgamento mais carregado politicamente da história moderna do Brasil'

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio deste ano Direito de imagem AP
Image caption O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio deste ano

"O palco está montado para o julgamento mais carregado politicamente na história moderna do Brasil."

Assim o jornal britânico The Guardian noticia a admissão das denúncias do Ministério Público Federal contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo juiz federal de Curitiba Sérgio Moro.

A decisão está sendo repercutida pela imprensa estrangeira nesta quarta-feira.

O diário britânico diz que a decisão "vem no momento de intensa turbulência política e econômica" e "elevará ainda mais a temperatura" no país.

A reportagem acredita que as tensões são exacerbadas "pela investigação da Lava Jato que dura dois anos e uma conspiração para encerrar 13 anos do PT no poder".

O diário financeiro Wall Street Journal afirma que Lula "agora enfrentará uma equipe de promotores que viraram heróis nacionais por seu papel em desvendar um esquema de corrupção rampante durante os anos de boom econômico em que ele governou".

Para o jornal americano, o ex-presidente "vinha tentando retratrar as alegações contra ele como uma tentativa da elite brasileira de manchar o seu legado de ajuda aos pobres".

Para o também americano New York Times, "a decisão aumenta os problemas" para Lula.

"Atormentado por escândalos, o seu Partido dos Trabalhadores perdeu a Presidência em agosto quando o Senado impediu a sucessora escolhida por Lula, Dilma Rousseff, em uma luta de poder que consumiu o establishment político", escreve o jornal.

O jornal também nota que o julgamento ocorrerá "em meio a um debate nacional sobre se os promotores estão abusando nos esforços para envolvê-lo (nos escândalos de corrupção)".

Na quinta-feira da semana passada, os procuradores qualificaram Lula de "comandante supremo" do esquema de corrupção da Petrobras "sem provas claras", afirmou o vespertino francês Le Monde.

O diário diz que Moro aceitou as acusações "disposto a enfrentar a controvérsia de uma acusação fundada sob indícios frágeis, que pode gerar inquietação em muitos brasileiros" simpatizantes de Lula.

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Para o argentino Clarín, a decisão de Moro de aceitar as denúncias foi tomada com "assombrosa rapidez".