Tragédia também no jornalismo: Milton Neves lamenta perda de amigos em acidente

Bombeiros e socorristas vasculham destroços do avião Direito de imagem Getty Images
Image caption Voo que seguia com jogadores da Chapecoense para a Colômbia tinha 22 jornalistas

A tragédia com o avião que levava a delegação da Chapecoense para disputar a final da Copa Sul-Americana não abalou apenas o mundo do esporte, mas também, do jornalismo.

Entre as 77 pessoas a bordo, havia 20 jornalistas selecionados por seus veículos para cobrir um dos principais eventos esportivos do ano.

O apresentador da TV Bandeirantes Milton Neves conhecia parte dos jornalistas que estavam no avião que levava o time da Chapecoense para disputar a final da Sul-Americana e caiu a cerca de 50 km de seu destino em Medellín, na Colômbia.

Em entrevista à BBC Brasil, Milton Neves conta que fez diversas coberturas ao lado do comentarista da FOX Sports Mario Sérgio Pontes Paiva, que também estava no voo. Ele lembrou de uma história curiosa que passaram juntos quando chegavam a um estádio de futebol em São José dos Campos, no interior de SP, para cobrir uma partida.

"Quando chegamos na porta do estádio, a torcida do São Paulo começou a chacoalhar o ônibus em que estávamos. Mas o Mário Sérgio andava com um revólver. Ele então colocou a cabeça para fora da janela e deu três tiros pra cima. A torcida sumiu na hora", conta Milton Neves.

Mário Sérgio também foi jogador de futebol e é um dos maiores ídolos do Bahia. Ele também marcou seu nome na história do Grêmio após ser contratado apenas para disputar o campeonato mundial, conquistado pelo time gaúcho por 2 a 1 contra o Hamburgo, em Tóquio.

O clube de Chapecó seguia para disputar a primeira final internacional disputada por um time de Santa Catarina. A Chape, como é conhecida entre seus torcedores, é considerada um dos cinco grandes clubes de Santa Catarina, ao lado de Avaí, Criciúma, Figueirense e Joinville.

'Ratinho'

Milton Neves, considerado um dos maiores jornalistas esportivos do Brasil, contou que também trabalhou com também jornalista Victorino Chermont, que também estava no voo.

"Ele foi nosso repórter quando eu praticamente comecei minha carreira na TV. Ele era novinho, mas era muito bom. Eu dei apelidos a ele, o chamava de Ratinho, e a gente se divertia", conta.

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O apresentador afirmou que também conhece o comentarista da FOX Sports Paulo Julio Clement, que foi escalado para cobrir a final na Colômbia e estava no mesmo voo dos jogadores da Chapecoense.

"Ele desde jovem foi muito talentoso e teve sucesso na sua carreira. Quando ele era repórter do jornal O Globo, elogiou algumas vezes o programa Super Técnico que eu apresentava na Bandeirantes", afirmou.

Paulo Julio Clement é considerado um dos mais talentosos jornalistas esportivos de sua geração, conhecido pelo texto bem humorado e estilo cáustico.

Venceu o câncer

Neves afirma que o narrador Deva Pascovicci, que também seguia para a Colômbia no mesmo avião, deu recentemente uma palestra em seu escritório.

O apresentador lembrou ainda que Pascovicci teve um câncer no intestino quando ainda trabalhava como jornalista na rádio CBN.

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Image caption Jornalista Deva Pascovicci fez tratamento contra o câncer no intestino e

"Ele venceu o câncer e voltou a trabalhar como narrador da FOX Sports", relata.

Neves afirmou ainda que conhece muito bem a cidade de Chapecó.

Antes de encerrar a entrevista, Neves fez questão de ressaltar o "milagre" feito pelo goleiro Danilo nos últimos instantes da partida da semi-final. "Ele fez uma defesa incrível e se consagrou como um heroi".

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