Os detentos do interior de São Paulo que começaram a ler literatura na cadeia
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Presos reduzem pena lendo e escrevendo resenhas literárias no presídio

Em 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou uma portaria que autoriza juízes a diminuir penas dos presidiários que escrevam sobre os livros que leem.

Segundo o Ministério da Justiça, nesse período já foram escritas mais de 6.000 resenhas - 5.700 pessoas já participaram. Para cada texto, um detento pode se livrar de quatro dias na cadeia - ele pode escrever uma por mês e 12 por ano.

No Centro de Detenção Provisória de Hortolândia, no interior de São Paulo, cerca de 30 presos participam de uma roda de leitura duas vezes por semana. Na oficina, eles falam sobre as obras que estão lendo e aprendem a escrever uma resenha.

"Primeiro ensino o que é um personagem, um protagonista, uma narrativa. Depois o que é um narrador em primeira pessoa", diz Elisande Quintino, coordenadora pedagógica do presídio. "A escrita é uma desconstrução do medo, porque todos nós temos medo de escrever. O primeiro auxílio que dou serve para quebrar essa barreira.""

Depois, os textos são enviados a um juiz, que pode ou não autorizar o benefício.

O Brasil tem a quarta maior população carcerária do mundo, perdendo apenas para os Estado Unidos, China e Rússia. Em 2014, havia 622 mil pessoas nas cadeias, segundo o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias, o Infopen - os dados não são atualizados há três anos.

Segundo Quintino, a literatura tem ajudado os presos a refletir sobre seus erros, além de melhorar o nível educacional.