O grupo secreto de WhatsApp que funciona como 'clínica virtual' de aborto
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O grupo secreto de WhatsApp que funciona como 'clínica virtual' de aborto

Mulheres que querem interromper a gravidez no Brasil, país onde o aborto só é permitido em pouquíssimos casos, têm recorrido a grupos de WhatsApp.

Em cinco meses de investigação, a BBC Brasil acompanhou os dramas de gestantes que chegam a um deles em busca de remédios abortivos e assistência para realizar o procedimento.

As coordenadoras do grupo vendem os medicamentos por valores que variam, de entre R$ 900 e R$ 1,5 mil, oferecem tutoriais com o passo a passo e designam uma espécie de “guia” para acompanhar remotamente cada grávida que decide prosseguir com o aborto.

As histórias são fortes. Há desde mulheres que afirmam ter sido estupradas, mas que enfrentam dificuldades ou têm vergonha de procurar ajuda para interromper legalmente a gravidez, algo a que têm direito, a meninas muito jovens – em um dos casos, uma participante buscava ajudar a irmã de apenas 13 anos a abortar.

Consultados pela BBC Brasil, especialistas disseram que as doses do abortivo recomendadas pelas coordenadoras do grupo é muito forte, e que fazer o procedimento sem acompanhamento médico pode levar a infecções e até a morte.

No Brasil, aborto é crime, com pena de até três anos de prisão. Só é permitido interromper a gravidez em caso de estupro, risco para a vida da mãe e feto com anencefalia.

A legislação brasileira prevê pena de um a quatro anos de prisão para quem provoca aborto com o consentimento da gestante. As jovens que administram o grupo também correm o risco de serem denunciadas por comercializarem um remédio que não tem autorização para ser vendido – a pena para esse crime varia de 10 a 15 anos de prisão.

Clique aqui para ler a reportagem completa.

Reportagem e produção: Nathalia Passarinho / Edição: Elisa Kriezis / Imagens: Ana Terra Athayde / Imagens adicionais: Cícero Bezerra, Elisa Kriezis e Keith "Chuck" Tayman / Direção: Dina Demrdash

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