Bolsonaro presidente: Compromisso com a Constituição e fim do 'extremismo de esquerda': os principais trechos dos discursos de Jair Bolsonaro

Reprodução de transmissão ao vivo feita por Bolsonaro, em que aparece ao lado da esposa e de intérprete de libras
Image caption Na primeira aparição após vitória, Bolsonaro falou primeiro por meio das redes sociais

Com frequentes menções à palavra "liberdade" e promessa de compromisso com a democracia e a Constituição, Jair Bolsonaro (PSL) falou pela primeira vez como presidente eleito em uma transmissão ao vivo nas suas redes sociais e depois, no que chamou de "discurso da vitória", para jornalistas.

O capitão reformado escolheu iniciar o discurso citando um versículo do Evangelho de João: "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará".

"Nunca estive sozinho. Sempre senti a presença de Deus e a força do povo brasileiro", disse Bolsonaro. "Com toda certeza essa é uma missão de Deus, estaremos prontos para cumprí-la".

"Faço de vocês as minhas testemunhas de que esse governo será um defensor da Constituição, da democracia e da liberdade. Isso é uma promessa não de um partido, não é a palavra vã de um homem: é um juramento a Deus. A verdade vai libertar esse país e vai nos transformar numa grande nação".

'Liberdade de ir e vir'

Acusado, quando candidato, de representar uma ameaça à democracia, Bolsonaro dedicou parte do seu discurso para enumerar liberdades que se comprometeu a proteger.

"A liberdade é um princípio fundamental: liberdade de ir e vir, de andar nas ruas em todos os lugares nesse País. Liberdade de empreender; liberdade política e religiosa; liberdade de informar e ter opinião; liberdade de fazer escolhas e ser respeitado por elas", afirmou.

"Este é um país de todos nós (...) Um Brasil de diversas opiniões, cores e orientações. Como defensor da liberdade, vou guiar para que o governo defenda e proteja os direitos do cidadão que cumpre seus deveres e respeita as leis. Elas são para todos, porque assim será o nosso governo: constitucional e democrático."

Acenos ao liberalismo

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Image caption 'Com toda certeza essa é uma missão de Deus, estaremos prontos para cumpri-la', disse Bolsonaro em discurso

O discurso também reafirmou o caráter liberal na economia que permeou a campanha de Bolsonaro e que é representada, principalmente, pela assessoria de Paulo Guedes.

Bolsonaro afirmou que o governo federal dará "um passo atrás", "reduzindo sua estrutura e burocracia": "Vamos desamarrar o Brasil".

"O Estado democrático de direito tem como um de seus pilares o direito de propriedade; reafirmamos aqui o respeito e a defesa desse princípio constitucional e fundador das principais nações democráticas do mundo", disse a jornalistas, rodeado por correligionários e familiares.

O capitão reformado citou o compromisso com o "o emprego, a renda e a responsabilidade fiscal".

"Quebraremos o ciclo vicioso do crescimento de dívida, substituindo-o pelo ciclo virtuoso de menores déficits, dívidas decrescentes e juros mais baixos", disse Bolsonaro, lendo folhas de papel. "O déficit público primeiro precisa ser eliminado o mais rápido possível e convertido em superávit".

Cenário interno e externo

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Image caption Bolsonaro será o 38º presidente do Brasil

O futuro 38º presidente do Brasil disse não haver "brasileiros do Sul ou do Norte", já que todos pertenceriam a "um só País". Bolsonaro disse se comprometer com um futuro "com uma mão voltada para o seringueiro do coração da selva amazônica e a outra para o empreendedor suando para criar e desenvolver sua empresa".

Ele também defendeu o reforço do caráter federalista do País.

"As pessoas vivem nos municípios, portanto, os recursos federais irão diretamente do governo central para os Estados e municípios. Colocaremos de pé a Federação brasileira. Nesse sentido é que repetimos que precisamos mais de Brasil e menos de Brasília", disse, fazendo referência a um de seus slogans de campanha.

Já em relação à política externa, o presidente recém-eleito defendeu a libertação do Brasil e do Itamaraty de políticas com viés "ideológico" e acenou para a aproximação das "nações mais desenvolvidas".

O que passou

Bolsonaro também falou das condições da disputa eleitoral, agradecendo ao povo por ter escolhido "alguém sem um grande partido, sem fundo partidário, com grande parte da grande mídia o tempo todo criticando".

Para ele, a cobertura da imprensa o colocou perto de uma "situação vexatória".

O capitão reformado prometeu um governo com equipe "técnica" e "isenta de indicações políticas de praxe", além de uma mudança na direção ideológica do País.

"Não poderíamos mais continuar flertando com o socialismo, o comunismo, o populismo e com o extremismo da esquerda", afirmou.

"Missão não escolhe e nem se discute. Se cumpre".

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