'Golden shower' e outros tuítes de políticos que causaram controvérsia

Jair Bolsonaro, Donald Trumpo, Anthony Weiner e Rafael Correa Direito de imagem EPA/Getty Images/ AFP
Image caption Postura de políticos em redes socias gera polêmicas e consequências no mundo real

Atualizado às 20h

O fato de o presidente Jair Bolsonaro (PSL) publicar um vídeo obsceno e escatológico no Twitter para "denunciá-lo" rapidamente gerou uma enxurrada de reações de críticos e de apoiadores, chamou a atenção da mídia internacional e ocupou quatro dos dez tópicos mais comentados da rede social.

O presidente publicou nesta terça-feira um vídeo que mostrava dois homens em atos obscenos em cima de um ponto de táxi, incluindo uma cena em que um urina no outro. Ele afirmou que é "isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval".

Mais tarde, na noite desta quarta-feira, o Planalto enviou uma nota para esclarecer o posicionamento do presidente. O texto, assinado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência, diz que "não houve intenção de criticar o carnaval de forma genérica, mas sim caracterizar uma distorção clara do espírito momesco, que simboliza a descontração, a ironia, a crítica saudável e a criatividade da nossa maior e mais democrática festa popular".

A nota acrescenta que as cenas "escandalizaram" não apenas Bolsonaro, como "grande parte da sociedade" e representam um crime tipificado na legislação brasileira.

A publicação do vídeo gerou controvérsia imediata, com milhares de pessoas criticando o que consideraram "falta de decoro", postagem de imagens escatológicas que não representam o Carnaval e uma tentativa de desviar a atenção dos protestos de foliões contra o presidente nos blocos de rua. Apoiadores do presidente, por sua vez, defenderam o uso do vídeo para fazer o que consideram uma "denúncia".

Horas depois, o presidente tuitou novamente, fazendo uma pergunta: "O que é golden shower?". A referência foi ao termo em inglês que define um fetiche sexual que envolve a prática de urinar sobre o parceiro.

Embora nem todos tenham o mesmo tamanho e repercussão, os momentos polêmicos de políticos no Twitter não são novidade há tempos.

O presidente americano, Donald Trump, é especialmente conhecido por criar controvérsias na rede. Em 2017, um post confuso criticando a imprensa, com uma palavra incompreensível ("covfefe"), gerou piadas durante um ano – mas também houve episódios mais graves, com potenciais consequências diplomáticas.

Veja abaixo outros tweets de políticos que geraram controvérsia (e até renúncias) pelo mundo:

'Meu botão é maior'

Direito de imagem EPA
Image caption O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou seu colega norte-coreano, Kim Jong-un: 'tenho um botão nuclear maior'

Presente o tempo todo no Twitter desde que era apresentador de reality show, Donald Trump não moderou sua forma de falar nas redes sociais após se tornar presidente dos Estados Unidos em 2017. Desde então, seu comportamento no Twitter rende polêmicas, análises e críticas constantes.

Um dos casos em que uma postagem sua teve maiores consequências políticas foi quando ele praticamente fez ameaças de guerra nuclear à Coreia do Norte:

"O líder norte-coreano Kim Jong-un acabou de dizer que o botão nuclear está em sua mesa o tempo todo. Alguém desse regime falido e faminto por favor informe-o que eu também tenho um botão nuclear, mas é muito maior e mais poderoso que o dele, e meu botão funciona", disse o presidente americano em janeiro de 2018.

A fala gerou uma enorme preocupação no país e milhares de americanos foram à rede social dizer que estavam envergonhados.

Defensores do presidente, no entanto, dizem que o post não era uma ameaça real e que as relações com a Coreia do Norte tiveram muitos desenvolvimentos desde então – ao ponto de Trump mudar de postura e chamar Kim Jong-un de "grande líder".

Cortem as cabeças

O senador americano Marco Rubio postou em fevereiro deste ano uma foto do ditador líbio Muammar Gaddafi ensanguentado sendo decapitado por uma multidão enfurecida. A postagem veio logo após mensagens de Rubio com críticas ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

A postagem do republicano foi vista como uma ameaça velada a Maduro, em um momento de crise e possibilidade de intervenção militar no país. Rubio é uma das vozes mais influentes em Washington em questões relativas à Venezuela.

A foto, postada sem comentários, gerou um debate acalorado entre críticos e apoiadores da postura do senador.

Muitas pessoas questionaram o Twitter sobre se a violência das imagens não infringia as regras da plataforma – mas o post não foi retirado do ar.

'Membro mecânico'

Nem só de escandâlos de políticos americanos vive o Twitter. O senador brasileiro Renan Calheiros (PMDB-AL) entrou com Bolsonaro para lista dos nacionais que mais geram polêmicas na plataforma em fevereiro, quando acusou uma jornalista que o havia criticado de tê-lo assediado e afirmou que outro senador – já morto – "usou um membro mecânico para namorá-la".

A vulgaridade da afirmação teve uma reação tão negativa para Calheiros que ele acabou apagando o post – mas não antes que centenas de usuários fizessem uma cópia da publicação. A jornalista, Dora Kramer, respondeu apenas que agradecia as manifestações de apoio após o ataque do senador, mas que não comentaria o assunto: "O que ele diz fala por ele."

Direito de imagem Reproução/Twitter
Image caption Renan Calheiros fez acusações de baixo calão contra jornalista da Veja

'Minha conta foi invadida'

O deputado americano Anthony Weiner deu uma justificativa comum quando uma foto íntima sua foi parar em seu perfil no Twitter: ele disse que sua conta tinha sido invadida.

Logo depois, no entanto, começaram a circular notícias de que ele tinha o hábito de trocar mensagens sexuais com amantes pelas redes sociais, apesar de ser casado.

O episódio gerou uma crise de imagem tão grave para o democrata que, após sete mandatos em que foi eleito com pelo menos 60% dos votos em seu distrito, ele acabou renunciando e pedindo desculpas por seu comportamento.

Logo depois, sua mulher, Huma Abedin, ex-assessora de Hillary Clinton, pediu o divórcio.

Em 2019, o escândalo teve um novo episódio: Weiner foi preso por trocar mensagens sexuais com uma garota de 15 anos.

Prostituta de luxo

A presença do ex-primeiro-ministro britânico David Cameron no Twitter gerou piada mais de uma vez – uma selfie dele falando com o então presidente americano Barack Obama ao telefone e fazendo uma cara séria virou um dos memes mais compartilhados no Reino Unido em 2014.

Mas o episódio mais embaraçoso foi quando sua conta no Twitter seguiu o perfil de uma agência de prostitutas de luxo, em 2013.

Na época, a assessoria do primeiro-ministro informou à BBC que a conta foi seguida graças a um sistema automático que eles haviam criado em 2009 e que a conta estava no processo de deixar de seguir perfis "impróprios".

Algumas semanas antes, um post ofensivo contra o então secretário das Relações Exteriores tinha sido curtido por acidente – culpa de um dos assessores de mídias sociais do líder, segundo o governo.

'Você adora me torturar com essa merda'

Em 2010, o perfil do senador americano Christopher Dodd tuitou uma mensagem "estranha" que provavelmente era direcionada a uma pessoa de forma privada.

Sem perceber, a seguinte mensagem foi publicada para todos os seus seguidores: "Você adora me torturar com essa merda".

Direito de imagem Reprodução
Image caption 'Você adora me torturar com essa merda', dizia o post do senador

Após a gafe, a equipe do senador democrata pediu desculpas e disse que a mensagem foi um "erro técnico" e que não havia sido escrita pelo parlamentar, mas por algum assessor que tinha acesso a sua conta.

O governador e a loira sadomasoquista

Em 2014, o perfil do governador do estado americano Delaware, Jack Markell, publicou no Twitter uma imagem que surpreendeu seus seguidores.

Na mensagem, que deveria ser sobre um evento do governo, havia a foto de mulher loira vestida com roupas típicas de sadomasoquismo.

Direito de imagem Reprodução Twitter
Image caption O governador pediu desculpas pela postagem

O tuíte foi rapidamente apagado. Logo depois, o governador pediu desculpas e afirmou que a foto foi carregada na rede social por um problema técnico.

'Papa Jesus argentino'

Após uma audiência com o papa Francisco em abril de 2014, o então presidente do Equador, Rafael Correa, compartilhou uma piada para os mais de 2 milhões de seguidores de seu perfil no Twitter: "todos ficaram surpresos com a escolha do nome Francisco, porque, sendo argentino, esperavam que o papa se chamasse Jesus 2º."

Em seguida, para evitar mal-entendidos, ele tentou emendar: "um abraço a nossa querida Argentina e me desculpem pela piada, mas ela veio... do próprio papa!".

O papa não se pronunciou sobre o assunto.

Força, Luca!

Direito de imagem Agência Senado
Image caption Presidente do PT, Gleisi Hoffmann confundiu o ex-presidente Lula com um torcedor do Bayern de Munique

Em janeiro do ano passado, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, acreditou que a torcida do clube alemão Bayern de Munique estava apoiando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A então senadora Gleisi se confundiu com uma faixa que a torcida havia colocado na arquibancada. Ela escreveu no Twitter: "Um apaixonado pelo futebol como Lula merece mesmo o carinho e a homenagem de torcedores do mundo todo. Recebi essa imagem, que mostra uma faixa 'Forza Lula' ontem na torcida do Bayern de Munique".

Na verdade, a frase escrita na faixa era "Forza Luca", em homenagem a um torcedor que havia ficado ferido em uma briga com torcedores de um time rival.

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