Brexit: centenas de milhares saem às ruas de Londres contra saída do Reino Unido da UE

Protesto em Londres Direito de imagem REUTERS
Image caption Manifestantes tomaram as ruas de Londres e se reuniram em frente ao Parlamento britânico

Centenas de milhares de pessoas marcharam no centro de Londres neste sábado pedindo por outro referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, enquanto membros do Parlamento britânico procuram uma solução para o impasse do Brexit.

Os organizadores da campanha "Put It To The People" (algo como "Submeta às pessoas") dizem que mais de um milhão participaram da passeata antes de se manifestarem em frente ao Parlamento.

O protesto acontece depois que líderes europeus concordaram em ampliar o prazo para definição do Reino Unido sobre o Brexit.

Direito de imagem Reuters
Image caption Segundo organizadores, mais de um milhão de pessoas participaram do protesto

Qual é o impasse?

Em 23 de junho de 2016, os britânicos decidiram pôr fim a 43 anos de integração com a União Europeia, em um referendo que teve 52% votos a favor da separação e 48% contra.

Nos termos do artigo 50 do Tratado de Lisboa, um membro que queira deixar a União Europeia deve notificar o Conselho Europeu dois anos antes da efetivação da saída. No caso do Reino Unido, o processo foi iniciado em 29 de março de 2017 - portanto, a separação seria consolidada no próximo dia 29.

No entanto, a primeira-ministra britânica, Theresa May, não conseguiu que o Parlamento aprovasse sua proposta para a saída. Os membros do Legislativo rejeitaram duas vezes o acordo de May. Assim, havia a possibilidade - preocupante para muitos - de que a saída do bloco acontecesse sem qualquer acordo, cenário conhecido como "No deal" ("Sem acordo").

Nesse caso, a separação aconteceria como de uma hora para outra, sem termos negociados sobre assuntos que vão de transporte de animais de estimação ao fornecimento de energia.

Mas os outros 27 membros da União Europeia concordaram na quinta-feira em ampliar o prazo vinculado ao artigo 50. Caso os parlamentares consigam aprovar um acordo, este prazo será 22 de maio.

Caso não consigam chegar a uma decisão, o limite é mais curto: 12 de abril.

May está sob pressão para renunciar depois de dizer que talvez não coloque seu acordo sobre o Brexit para uma terceira votação.

Na sexta-feira, ela escreveu para todos os parlamentares dizendo que abandonará os planos de submeter o acordo ao Parlamento caso não haja número suficiente de deputados para apoiá-lo.

A menos que sua proposta seja finalmente aprovada pelos parlamentares, o Reino Unido terá que apresentar um plano alternativo ou, então, poderá sair do bloco sem um acordo em 12 de abril.

No site do Parlamento britânico, uma petição pedindo um novo referendo já chegou a quatro milhões de assinaturas - 2,5 milhões em menos de 24 horas.

Image caption Grupos de amigos, famílias e membros de organizações políticas foram as ruas

Vozes do protesto

Participantes do protesto foram informados de que a contagem inicial da manifestação foi de mais de um milhão de pessoas, colocando-o em pé de igualdade com a maior marcha britânica do século, a Stop The War, de fevereiro de 2003, contra o envolvimento do Reino Unido na então iminente Guerra do Iraque.

Não houve uma contagem independente dos números, mas o correspondente da BBC Richard Lister, que estava no local, disse que o protesto estava "muito lotado". Ele acrescentou que pessoas ainda chegavam à Praça do Parlamento até o fim da tarde, horas depois do ínicio da manifestação, marcada para o meio-dia (horário local).

"Os organizadores dizem que foi um milhão de pessoas. É muito difícil verificar esses tipo de afirmação, mas essa foi uma marcha muito significativa, da ordem de centenas de milhares."

Segundo relato de outra repórter da BBC, Katie Wright, que acompanhou o protesto de Park Lane, uma das principais vias do centro de Londres, as ruas estavam cheias de pessoas de todos os cantos do país.

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Image caption Protesto teve um "jeito bem britânico", diz alemão que mora no Reino Unido há 20 anos

O azul e amarelo, cores da União Europeia, tomaram conta dos cartazes segurados pela multidão, que contava com famílias, grupos de amigos e membros de organizações políticas.

Um dos participantes, o veterinário alemão Chris Reichmann, descreveu a atmosfera como um "carnaval", com "muitas nacionalidades diferentes" mas num "jeito bem britânico".

Ele diz que não participou da primeira votação, mas que se mudou para a Inglaterra há vinte anos e considera o Brexit uma decisão "estúpida".

Image caption Calypso Latham (à esq.) disse que não teve oportunidade de votar no primeiro referendo

"Devemos deixar as pessoas votarem e ver se esse é realmente o acordo que elas querem. Mais uma vez não poderei votar, mas isso terá uma grande implicação na minha vida."

A britânica Calypso Latham, 19, que ainda é estudante, se diz da mesma opinião.

"Eu era muito jovem para votar no último referendo. E vai afetar minha carreira com bolsas de pesquisa, então definitivamente eu quis vir aqui e protestar."

Lin Worthy, de Oxford, pensa sobre o futuro - e as oportunidades que o Brexit pode tirar das novas gerações.

"Nós tivemos tantas oportunidades crescendo na União Europeia - liberdade de viajar, pagamento igualitário, igualdade sexual e assim por diante. Nossos filhos terão o mesmo?"

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