Presos LGBT relatam cotidiano de preconceito e segregação em presídios brasileiros
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Presos LGBT relatam cotidiano de preconceito e segregação em presídios brasileiros

Um gay ou travesti, por exemplo, não pode tomar água no mesmo copo do que um hétero nem mesmo usar o mesmo prato.

Também está proibido de dividir o mesmo cigarro ou encostar na vassoura usada para varrer o pátio do presídio.

Para que não haja confusão, todos os objetos são queimados ou furados.

Essas são algumas das restrições extraoficiais impostas a presos LGBT, segundo muitos contaram à reportagem da BBC News Brasil.

"Eles dizem que é um procedimento que vem das antigas, dos antigos criminosos. Por causa de uns, todos têm que seguir isso. Na sociedade, a gente vai em um bar e bebemos no mesmo copo, que muitas vezes nem é bem lavado", diz Leonel da Silva Lopes, a Léia, que cumpre pena por furto e estelionato. Crimes cometidos para sustentar seu vício em cocaína.

Jairo de Jesus Oliveira Silva, de 29 anos, a Grazy, já passou por cadeias dominadas pelo PCC e hoje está em Pinheiros 2, chamada de “oposição”, onde não há membros da maior facção brasileira. Ela diz que as restrições nas cadeias do PCC são tão rígidas que os gays mal podem conversar com outros presos.

"Lá tinha muitas regras, a gente era oprimida. A gente tinha que ficar no canto, sem falar com ninguém, só o básico, como pedir licença. Também não tomava banho com os caras. A gente não podia usar roupa curta, não podia passar um lápis na sobrancelha, um lápis no olho. Tinha que andar como menino, com bermuda abaixo do joelho 24 horas. Nosso cabelo tinha que manter sempre curto por causa dos caras. Para a gente não seduzir nem arrastar os irmãos", conta Grazy.

A diretora de saúde do CDP de Pinheiros 2, Eliane de Souza, afirmou que o Estado não tem nada a ver com essas proibições impostas por facções.

"Essas questões, como não poder tomar água no mesmo copo, são internas deles. Para nós, são todas pessoas privadas de liberdade com os mesmos direitos. Mas eles (LGBT) merecem uma atenção especial. Eles vêm da sociedade e muitas vezes sofrem exclusão dentro da própria família. Chegam no limite do ser humano, até no direito de ir e vir, e merecem atenção", afirma.

Leia aqui a reportagem na íntegra:

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