Frota diz que Bolsonaro é 'hipócrita' e que tem convites de 7 partidos após expulsão do PSL

Alexandre Frota Direito de imagem Agencia Senado
Image caption 'Quero retornar à Câmara já com o novo partido', disse Frota à BBC News Brasil nesta quinta-feira

Expulso do PSL na terça-feira (15), o deputado federal Alexandre Frota disse que está feliz e compartilhou um vídeo com a BBC News Brasil em que o presidente Jair Bolsonaro é classificado como "hipócrita".

Com o título "A hipocrisia de Bolsonaro com Frota", o vídeo começa mostrando manchetes de jornais que reportam falas do presidente após a expulsão perguntando quem é Alexandre Frota. "Não sei nem quem é", disse Bolsonaro.

Na sequência, no entanto, o filme mostra uma série de declarações elogiosas feitas pelo presidente antes da expulsão. "Olá, Frota, parabéns, felicidades, tá ok. Se você quer me ver presidente um dia, eu quero te ver ministro da Cultura. Já imaginou, cara?", diz a primeira fala.

Depois, o presidente, ao lado de Frota, diz que eles fizeram "uma amizade ao longo do caminho". Em outro vídeo, gravado antes das eleições, Bolsonaro o chama de "irmão" e diz "estou te aguardando aqui no PSL". Na sequência, o presidente, em um quarto vídeo, diz que está "muito orgulhoso" de Frota.

O filme, que o deputado está encaminhando para aliados no WhatsApp, se encerra com imagens do próprio Bolsonaro repetindo "hipocrisia", "hipocrisia", "hipocrisia".

À BBC News Brasil, por telefone, Frota disse estar "bem tranquilo" e "feliz por ter sido convidado por grandes partidos".

Na manhã de terça-feira (13), a Executiva Nacional do PSL decidiu expulsar o ex-ator e deputado federal, eleito pela sigla em outubro do ano passado.

Formalmente, a expulsão foi motivada pelas críticas de Frota ao presidente Bolsonaro, e ao governo encabeçado pelo partido.

Ao todo, nove dos 14 integrantes da Executiva do PSL estiveram presentes à reunião e votaram pela expulsão.

'Quero retornar à Câmara'

Segundo o presidente nacional do partido, o deputado federal Luciano Bivar (PE), a decisão está amparada no Artigo 133 do Estatuto do PSL - o parágrafo 3º diz, de maneira genérica, que pode ser expulso do partido quem tenha ferido os "princípios programáticos", ou cometido "infração grave às disposições de lei e de Estatuto, infidelidade partidária, ou qualquer outra em que se reconheça extrema gravidade".

À BBC News Brasil, Alexandre Frota minimizou o ocorrido e disse que se concentra no futuro.

"Preciso decidir e vou decidir para qual partido eu irei. Quero retornar à Câmara já com o novo partido", disse Frota à BBC News Brasil nesta quinta-feira. O deputado diz ter recebido convites formais de filiação de sete partidos - entre eles, DEM e PSDB.

"Estou discutindo espaço e atuação dentro de cada proposta . Mas estou feliz em ter sido convidado por grandes partidos", afirmou.

Alvo de duras críticas por parte dos eleitores do presidente, que o têm classificado como "traidor", Frota se mostra otimista e orgulhoso. "(O interesse de outros partidos é) resultado do meu trabalho nesse início de mandato", disse.

Nas semanas anteriores à expulsão, Frota fez uma série de críticas ao presidente, a seus filhos com carreira política (Carlos, Eduardo e Flávio), a colegas do PSL e ao governo federal.

"Só duas vezes tivemos paz no semestre: quando o Twitter ficou fora do ar e quando ele (Jair Bolsonaro) tirou o dente", disse Frota ao jornal Folha de S.Paulo no fim de julho.

A fala era uma referência à coleção de declarações polêmicas de Bolsonaro nas últimas semanas - e a um tratamento dentário que o impediu temporariamente de falar.

A expulsão de Frota é resultado de ao menos duas representações (espécie de acusação formal dentro do partido) de congressistas do PSL. Uma é do senador Major Olímpio (SP), e a outra, da deputada federal Carla Zambelli (SP).

A acusação de Zambelli é um documento de dez páginas. Baseia-se em dois pontos: as críticas de Frota a colegas do PSL de São Paulo, por um lado; e por outro, suposta "difamação" de Frota "contra o Presidente da República, ao governo e aos filhos de Jair Bolsonaro".

(colaborou: André Shalders, da BBC News Brasil em São Paulo)

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