Bolsonaro convida Xi Jinping para o 'maior leilão de petróleo e gás da história'

Bolsonaro e Xi Jinping Direito de imagem EPA
Image caption Bolsonaro fez convite a Xi Jinping durante a abertura da reunião bilateral entre os líderes em Pequim

Durante sua visita à China, o presidente Jair Bolsonaro convidou na sexta-feira (28/10) o presidente chinês, Xi Jinping, para participar do leilão do pré-sal, considerado pelo governo como o maior leilão de óleo e gás da história.

O convite foi feito durante o discurso de abertura da reunião bilateral entre os dois líderes, no segundo dia da visita oficial de Bolsonaro a Pequim, um ano após o presidente reclamar que a China 'compraria o Brasil'.

"Aproveito a oportunidade para convidar a China para participar do maior leilão que se tem notícia, que é o leilão de óleo e gás."

"Creio que a China não poderia se fazer ausente neste momento", acrescentou.

A participação da China no chamado "megaleilão" do pré-sal, marcado para 6 de novembro, seria parte do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), que é o eixo principal da viagem de Bolsonaro pela Ásia.

'Megaleilão'

A licitação foi apelidada de "megaleilão" por ser o maior leilão do pré-sal já realizado.

Será o primeiro leilão do pré-sal do governo Bolsonaro — e conta com recorde de inscritos. A previsão de arrecadação é de R$ 106 bilhões.

Estima-se que o novos campos que serão leiloados correspondam a 28% da produção brasileira de petróleo. Todas as áreas a serem exploradas estão localizadas na Bacia de Santos.

Na licitação, serão ofertados os excedentes — volumes superiores aos 5 bilhões de barris que a Petrobras tem o direito de produzir.

Em 2010, a Petrobras e a União fecharam um acordo que permitiu à estatal explorar 5 bilhões de barris de petróleo em campos do pré-sal na Bacia de Santos, sem licitação. Mas, desde então, descobriu-se que a reserva é bem maior — um excedente estimado em até 15 bilhões de barris adicionais. É esse excedente que será leiloado.

'Esgotamento prematuro das reservas'

Os críticos argumentam que a exploração de petróleo por estatais é uma questão de soberania nacional."As estatais já são 19, entre as 25 maiores empresas de petróleo e gás natural, controlando 90% das reservas e 75% das produções mundiais", diz, em nota, a Associação de Engenheiros da Petrobras (Aepet)."O governo federal não dispõe de uma política para o controle da produção e da exportação de petróleo.""Não conhece todo o potencial de reservas do pré-sal, mas apressa leilões de áreas que podem conter dezenas de bilhões de barris de petróleo, apenas para cobrir déficits fiscais. Esta política poderá levar ao esgotamento prematuro das reservas nacionais", completa a associação.

Durante a reunião bilateral, uma série de atos foram assinados entre os dois países — como os protocolos sanitários para exportação de carne bovina termoprocessada e de farelo de algodão.

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Image caption Uma série de atos foram assinados entre os dois países

"Hoje podemos dizer que uma parte considerável do Brasil precisa da China, e a China também precisa do Brasil. O Brasil é um mar de oportunidades, e queremos compartilhar isso com a China", disse Bolsonaro.

"Os nossos produtos do campo tem grande entrada na China e sabemos que há grande interesse em fortalecer esse comércio. Estamos prontos."

Há 10 anos, a China é o principal parceiro comercial do Brasil no mundo. A relação entre os dois países vem se aprimorando com o passar do tempo: em 2018, a soma das importações e exportações entre os dois países alcançou um recorde inédito na América Latina — US$ 98,9 bilhões, ou quase R$ 400 bilhões, sinalizando um ápice na relação bilateral.

Além de principal parceiro comercial, segundo o Banco Central, a China é hoje o 9º maior investidor no Brasil. Os recursos chineses são destinados principalmente a energia (geração e transmissão, além de petróleo e gás) e infraestrutura (portuária e ferroviária), de acordo com o Ministério da Economia.

Troca de presentes

Os dois líderes também trocaram presentes — Bolsonaro surpreendeu ao dar uma camisa do Flamengo para o presidente chinês.

Direito de imagem Luiz Fará Monteiro Filho / Record
Image caption Bolsonaro deu uma camisa do Flamengo para Xi Jinping e recebeu um gravura de futebol em troca

"Agora o Brasil todo é Flamengo. Com toda a certeza, um bilhão e trezentos milhões de chineses serão Flamengo no final do mês que vem", afirmou o presidente brasileiro, fazendo referência à final da Libertadores 2019, em que o Flamengo representará o Brasil.

Em troca, Xi Jinping ofereceu uma gravura de futebol a Bolsonaro.

A cerimônia durou cerca de uma hora. Ao sair do encontro, o presidente brasileiro foi aplaudido por crianças, enquanto uma banda do Exército chinês tocava o hino nacional brasileiro.

Direito de imagem Getty Images

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