'Absurdo' ou 'presidente dos sonhos': as reações do mundo político ao vídeo da reunião do governo Bolsonaro

Reunião ministerial Direito de imagem Palácio do Planalto
Image caption Vídeo da reunião ministerial foi divulgado pelo STF nesta sexta-feira

As reações do meio político ao vídeo da reunião ministerial divulgado pelo Supremo Tribunal Federal se dividiram entre aqueles que consideram que as imagens comprovam a acusação feita pelo ex-ministro Sergio Moro de que Jair Bolsonaro (sem partido) queria interferir na Polícia Federal (PF) e os que avaliaram o conteúdo como inofensivo e até mesmo benéfico para o presidente.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) disse que as falas reveladas no vídeo da reunião geram uma "imensa desmoralização e perda de legitimidade" do governo Bolsonaro.

Por sua vez, o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que estava presente na reunião, afirmou que o vídeo mostra que o presidente está preocupado em "servir ao povo brasileiro".

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que a reunião demonstra um "descaso pela democracia" por parte do governo.

A deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) afirmou que a postura e falas dos presidente no encontro são para "proteger o povo dos ditadores e tiranos".

Citado nominalmente por Bolsonaro na reunião, Fernando Haddad (PT), que foi adversário do presidente na última eleição, disse que "não há dúvida" sobre a intenção dele ao afirmar que queria fazer trocas na "segurança".

O escritor Olavo de Carvalho afirmou que o vídeo mostra que "Bolsonaro é o presidente dos nossos sonhos".

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse que pretende processar os participantes da reunião por suas falas no encontro e classificou o vídeo como "absurdo".

Por sua vez, o assessor especial da Presidência Filipe Martins celebrou a divulgação do vídeo ao dizer que "a verdade prevalece".

O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) afirmou que o vídeo "é a confissão dos crimes de Bolsonaro e de todo o seu governo".

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (Republicanos-RJ) publicou um trecho do Hino Nacional e afirmou que a vontade do povo é "soberana".

A deputada federal Gleisi Hoffmann, presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, criticou a forma como o presidente se expressou na reunião.

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) disse ter "orgulho" de uma fala do ministro da Educação, Abraham Weintraub.

Já o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ) chamou o ministro da Educação de "golpista".

Até a publicação desta reportagem, Weintraub não havia se pronunciado sobre a divulgação do vídeo.

Outro ministro que foi alvo de muitas críticas por suas falas no vídeo foi Ricardo Salles (Novo-SP), do Meio Ambiente.

O senador Humberto Costa (PT-SP) afirmou que a manifestação do ministro "chega a ser" doentia.

Salles afirmou que sempre defendeu "desburocratizar e simplificar normas".

A ex-candidata à vice-presidência da República Manuela d'Ávila (PCdoB-RS) destacou que o único assunto que não foi tratado no vídeo da reunião foi a pandemia do coronavírus.

Por sua vez, a deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) afirmou que o vídeo não é prejudicial para Bolsonaro como se pensava e que pode inclusive beneficiá-lo.

Foi uma avaliação semelhante a de analistas políticos. O filósofo Pablo Ortellado, professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo, disse que o vídeo é "ambivalente".

A antropóloga Rosana Pinheiro-Machado avalia que o vídeo fortalece o presidente junto à sua base.

Moro afirmou que a "verdade foi dita, exposta em vídeo" e comprovada com fatos posteriores".

Já o presidente Jair Bolsonaro limitou-se a repetir o slogan de sua campanha.

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