'Acabou, porra': as reações de Bolsonaro e aliados um dia após operação contra fake news

Jair Bolsonaro

Crédito, Marcos Corrêa/PR

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'Acabou, porra! Não dá para admitir mais atitudes de certas pessoas individuais, tomando de forma quase que pessoal certas ações'

Um dia após a operação da Polícia Federal para cumprir mandados de busca e apreensão no âmbito de um inquérito contra fake news que corre no Supremo Tribunal Federal, o presidente Jair Bolsonaro, seus filhos e aliados reagiram com críticas e ameaças ao STF.

"As coisas têm um limite. Ontem (27) foi o último dia", afirmou Bolsonaro diante do Palácio do Alvorada nesta quinta-feira. "Acabou, porra! Me desculpem o desabafo. Acabou. Não dá para admitir mais atitudes de certas pessoas individuais, tomando de forma quase que pessoal certas ações."

Diante de jornalistas, ele afirmou também que "nunca tive a intenção de controlar a PF, pelo menos (a operação da PF) serviu (para mostrar isso). Mas ordens absurdas não se cumprem, temos que botar um limite nessas questões". Quando um jornalista iniciou uma pergunta, Bolsonaro respondeu: "Quem tá falando sou eu, não estou dando entrevista. Se não quer me ouvir, vai embora".

Crédito, Nelson Jr./SCO/STF

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'A liberdade de imprensa não é construída por robôs (que disseminam conteúdo online), o que é construído por robôs são as fake news'

Pela manhã, pelo Twitter, o presidente disse que "ver cidadãos de bem terem seus lares invadidos por exercerem seu direito à liberdade de expressão é um sinal de que algo muito grave está acontecendo na nossa democracia" e que "estamos trabalhando para que se faça valer o direito à livre expressão em nosso país. Nenhuma violação desse princípio deve ser aceita passivamente!"

A operação da PF fez buscas em endereços ligados a empresários, políticos e blogueiros próximos a Bolsonaro, acusados de financiar e gerenciar uma rede de disseminação de notícias falsas que beneficiaria o governo e, nas palavras do ministro Alexandre de Moraes - que conduz o inquérito no STF -, ameaçar a democracia, o estado de direito e a independência entre os Poderes.

"A liberdade de imprensa não é construída por robôs (que disseminam conteúdo online), o que é construído por robôs são as fake news", disse Moraes em um webinário na quarta-feira. "Ao possibilitar (a ação) dessas milícias digitais, estaremos permitindo um ataque à liberdade de imprensa."

Eduardo Bolsonaro: 'Medida enérgica'

Em uma transmissão ao vivo por redes sociais, o filho do presidente, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), afirmou que "não é mais uma questão de se, mas de quando" vai haver uma "ruptura" institucional e que seu pai pode ter de tomar uma "medida enérgica".

"Eu até entendo quem tem uma postura mais moderada, vamos dizer, para não tentar chegar ao momento de ruptura, um momento de cisão ainda maior, um conflito ainda maior. Eu entendo essas pessoas que querem evitar esse momento de caos. Mas falando bem abertamente, opinião do Eduardo Bolsonaro, não é mais uma opinião de 'se', mas de 'quando' isso vai ocorrer", disse em live do blogueiro Allan dos Santos, um dos alvos da operação da Polícia Federal.

"Não se enganem: quando chegar ao ponto em que o presidente não tiver mais saída e for necessária uma medida enérgica, ele é que será taxado como ditador."

Ao seu lado, Santos chamou Alexandre de Moraes de "criminoso" e "moleque" e falou que a ação do ministro foi uma "tirania" e tentativa de "criminalizar opinião".

Crédito, Reprodução

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'Não se enganem: quando chegar ao ponto em que o presidente não tiver mais saída e for necessária uma medida enérgica, ele é que será taxado como ditador', disse Eduardo Bolsonaro

Na mesma transmissão, a deputada Bia Kicis (PSL-DF) afirmou que entrou com pedido de impeachment contra Moraes.

Políticos, como a ministra Damares Alves e a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), afirmaram defender a "liberdade de expressão" e serem contra o "cerceamento de direitos".

A militante Sara Winter, que também foi alvo da operação policial de quarta, respondeu com ameaças a Moraes: afirmou que "essa foi a pior decisão da vida" do ministro e que ele "nunca mais vai ter paz".

O empresário Luciano Hang, que é acusado de ter financiado a rede de fake news, agradeceu as manifestações de Bolsonaro pelo Twitter e disse que "jamais vou deixar de falar o que eu penso. Estamos juntos com o povo brasileiro para mudar o nosso país. Democracia e liberdade é tudo!"

'Ação planejada para confronto institucional'

Em nota divulgada nesta quinta-feira, o grupo de direitos humanos Comissão Arns manifestou apoio ao STF e afirmou que "parece evidente que haverá uma ação planejada para a instauração de um confronto institucional. Órgãos do Poder Executivo e entidades ligadas a ele irão tecer críticas e adotar posicionamentos de desrespeito e desobediência, para minimizar a importância do Judiciário, lançar a sociedade contra si e criar um clima de antagonismo institucional."

"Em face dessa situação, a Comissão Arns declara seu apoio e sua solidariedade ao Supremo Tribunal Federal e ao Poder Judiciário em geral, em razão de sua imprescindibilidade como responsável pela aplicação da lei, para elidir conflitos de interesses, com o fim de manter a ordem e a paz sociais, de acordo com a Constituição e com as leis pátrias."

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