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29 de julho, 2002 - Publicado às 09h27 GMT
Para Mário Prata, cidade grande mata mais que cigarro
O escritor Mário Prata, fumante há 40 anos
O escritor Mário Prata, fumante há 40 anos

Isabel Murray, de São Paulo

Desde fevereiro deste ano, todos os maços de cigarro brasileiros trazem obrigatoriamente imagens que alertam sobre os males causados à saúde pelo fumo.

São bebês prematuros à beira da morte, mulheres com câncer de pulmão lutando pela vida e homens envergonhados com a impotência sexual.

Pesquisas não oficiais dizem que as fotos fizeram muita gente ter vontade de largar o vício. Mas em outras pessoas, o efeito foi inverso.

Mário Prata, escritor e autor de novelas de sucesso, tornou-se uma espécie de porta-voz dos revoltados com a propaganda contra o cigarro. Ele tem 56 anos e é fumante há 40 anos.

Vício

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"Sou fumante, às vezes sim, às vezes não. Como dizia Millor Fernandes, é facílimo parar de fumar, já parei várias vezes", brinca o escritor.

"Eu fumo dois maços por dia. Mas é mais vicio de jornalista, às vezes eu vou acender um cigarro e vejo que já tenho um aceso."

Mário Prata escreve uma coluna semanal num jornal de São Paulo. Um texto no qual criticava a contrapropaganda nos maços de cigarro recebeu uma avalanche de respostas de leitores que concordavam com o ponto de vista do escritor.

"Ultimamente ando fumando mais, em protesto", afirma Prata.

"Porque o Brasil é um país muito dependente intelectualmente dos Estados Unidos. Eu acho que essa guerra que está havendo contra o cigarro no Brasil é uma imitação barata, grosseira e oportunista de um problema americano."

"Os Estados Unidos, desde o século 18, tinham uma guerra. Quando não tinham, inventavam contra qualquer coisa, e depois da queda do Muro de Berlin, da União Soviética, eles resolveram declarar guerra ao colesterol. Aí descobriram que o colesterol não era tudo aquilo. Aí decidiram declarar guerra à nicotina."

Mário prata disse que decidiu declarar guerra ao que chama de "idiotice oportunista, de colocar essas fotos nos maços de cigarros". "Eu fico impressionado com o retorno que eu tive disso no jornal, de fumantes e não fumantes."

Entre uma tragada e outra, Mário Prata expõe seu ponto de vista.

"De repente, o Brasil, que é um país com tantos problemas, tem tanta coisa que mata, os próprios políticos matam, fica preocupado com fumante..."

"É uma opção de qualquer um. Eu, por exemplo, para evitar a morte preferi mudar de São Paulo e morar em Florianópolis. Eu acho muito mais perigoso morar no Rio de Janeiro ou em São Paulo do que fumar", completa o escritor.

Males à saúde

O Brasil foi o segundo país do mundo a usar a contrapropaganda nos maços de cigarro - depois apenas do Canadá.

Apesar de tanta revolta contra a campanha do governo e de tanto prazer em fumar, Mário Prata reconhece os males causados pelo companheiro de todas as horas.

Ele se lembra de uma viagem que fez aos Estados Unidos, quando teve que passar mais de dez horas dentro de um avião sem fumar.

"Peguei um outro vôo em que não se podia fumar também. Aí meu amigo falou: 'Você pode ficar tranqüilo que lá em San Francisco tem uma sala de fumantes'. Eu entrei lá, e era uma coisa nefasta, o bafo... Aí você vê que uma coisa dessas só pode fazer mal."

Mário Prata olha para o maço de cigarro com os dizeres "quem fuma não tem fôlego para nada" e reflete.

"Eu consigo parar, eu vou parar", diz, sem parecer muito convencido. "Eu estou com um problema de fôlego quando vou subir uma escada. Eu vou parar."

Enquanto não decide largar o vício de vez, o escritor fuma três cigarros de manhã, em jejum.

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