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29 de julho, 2002 - Publicado às 09h29 GMT
Diagnóstico dificulta tratamento de câncer de pulmão
Antonio Carlos Souza, vítima de câncer de pulmão
Antonio Carlos Souza, vítima de câncer de pulmão

Isabel Murray, de São Paulo

Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) dizem que neste ano deverão ser registrados no Brasil mais de 330 mil novos casos de câncer, com mais de 120 mil mortes pela doença.

Desse total, cerca de 90% dos tumores de pulmão podem ser atribuídos ao tabagismo.

O Hospital do Câncer em São Paulo é um centro de referência para o tratamento da doença.

De todos os tipos de câncer, 64% dos casos são curados pelos especialistas do hospital. Mas, quando se fala de pulmão, as estatísticas não são favoráveis – hoje a taxa é de 23% de cura.

Dificuldades

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"O grande problema do câncer de pulmão é que 70% deles aqui ou em outro lugar do mundo chegam em fases avançadas da doença", afirma o diretor clínico do Hospital do Câncer, Daniel Deheinzelin.

A maior dificuldade é o diagnóstico. Para o fumante, o principal sintoma é a tosse, mas todo fumante tosse muito e por isso não acha que possa ser o sinal de um problema mais grave.

"A mudança de freqüência ou de características da tosse são sinais iniciais de que alguma coisa precisa ser vista", alerta Deheinzelin.

"Outros sintomas podem ser perda de peso e uma dor que normalmente confundida com dor muscular. É muito raro a primeira manifestação ser tosse com sangue."

Antonio Carlos Castro de Souza, despachante de 56 anos, foi um desses casos sem sintomas. Num exame rotineiro no ano passado, descobriu a doença.

Ele é fumante desde os 16 anos de idade, com uma média de três maços por dia. Quando descoberto, o câncer já estava em um estágio avançado, e Souza precisou ter um pulmão extirpado.

"Minha vida é muito limitada com um pulmão só", diz ele. "Eu não posso fazer força, levantar peso, uma subida já me cansa."

Mesmo assim, Souza só conseguiu ficar 40 dias sem fumar.

"De vez em quando, filo um cigarrinho de um amigo. É aquela dependência, aquele cheiro fedido que você acha gostoso, não tem explicação", admite. "Depois de 40 anos fumando, de vez em quando dá uma vontade ainda."

Batalha

Fazer os fumantes largar o vício é uma das grandes batalhas dos oncologistas. Principalmente depois do diagnóstico de câncer de pulmão.

"Nesse momento é muito complicado, porque eles ficam muito ansiosos, e a gente sabe que a ansiedade é um dos problemas do tabagismo", diz o médico.

"Seria ideal que no pré-operatorio o paciente parasse de fumar por três semanas."

Mas, se os médicos levassem essa regra à risca, não conseguiriam operar ninguém, segundo Deheinzelin. "A maioria continua fumando, o que aumenta o risco de infecção pulmonar e de tosse no pós-operatorio."

No hospital paulista, 85% dos pacientes com câncer de pulmão têm entre 50 e 70 anos de idade.

Com menos de 50 anos, são apenas 10%. E os médicos afirmam que quanto mais a pessoa fuma, mais chances tem de desenvolver a doença.

O cálculo é feito em anos por maço. Isso significa que, se a pessoa fumou quatro maços por dia durante um ano, fumou quatro anos-maço.

Deheinzelin atende cerca de cem pacientes por mês, pessoas com uma história em comum.

"Existe um arrependimento muito grande", acredita o médico. "É muito complicado quando o paciente percebe que no fundo ele tem uma parcela de culpa pela doença."

Os avanços da medicina estão permitindo a cura de um número maior de doentes de câncer. Mas a cura não é o estágio final.

"Infelizmente, como a gente está curando mais gente, dá mais tempo de aparecer o segundo tumor, o terceiro", afirma o médico.

"A pessoa se curou de um câncer, mas a causa, a exposição ao cigarro, continua. Temos aqui no hospital vários pacientes que estão se tratando do segundo ou do terceiro tumor."

É essa realidade que Antonio Carlos Souza os outros pacientes, vítimas de cãncer causado pelo tabagismo, têm de enfrentar.

''A doença é traiçoeira", resigna-se Souza. "Depois que ela se manifesta pode aparecer em outros pontos. Mas não posso viver com medo, tenho que encarar a vida, né? Senão não faço mais nada."

Todo mundo já ouviu o caso de um amigo ou parente que fumou a vida inteira e não teve problema nenhum. Para os especialistas em doenças relacionadas ao tabagismo, isso é pura sorte.

"Não existe ninguém que seja imune aos efeitos do tabaco", diz o o diretor clínico do Hospital do Câncer, Daniel Deheinzelin. O conselho dos especialistas é um só: parar de fumar.

Eles afirmam que, não importa por quanto tempo a pessoa fumou, sempre vale a pena parar, porque o risco de contrair doenças diminui, e a qualidade de vida do fumante e das pessoas à sua volta melhora.

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Links externos:
Instituto Nacional de Câncer
Tabagismo no Ministério da Saúde
Banco Mundial – tabaco (em inglês)
Associação Internacional dos Produtores de Tabaco (em inglês)
Associação Brasileira da Indústria do Fumo
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