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29 de julho, 2002 - Publicado às 18h06 GMT
Ziraldo abandonou o vício após fazer campanha
O cartunista Ziraldo, que abandonou o cigarro
O cartunista Ziraldo, que abandonou o cigarro

Isabel Murray, de São Paulo

O jornalista e cartunista Ziraldo é hoje uma das personalidades mais engajadas na luta contra o tabagismo no Brasil.

O curioso é que Ziraldo foi um fumante inveterado por quase 40 anos - nem ele mesmo se lembra com exatidão de quanto tempo fumou.

O cartunista só parou de fumar quando foi contratado pelo Ministério da Saúde para fazer uma campanha contra o cigarro. "Comecei a fumar porque ia nos bailes, tinha que conquistar as moças, parecer homem, ficar em pé direito", relembra Ziraldo.

"Onde é que eu iria botar as mãos? Botar a mão no bolso era cafajeste, não? Com o cigarro você fica mais bem composto, é uma arma de sedução."

Elegância

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Ziraldo lembra que, na década de 40, fumar era considerado tão elegante que médicos eram colocados em anúncios. Mas, para o artista, o que começou como charme acabou em vício.

"Eu acendia mais de 60 cigarros por dia. Não por dia, por noite. Eu varava a madrugada, trabalhando das 9 da noite às 4 da manhã. Eu acendia 40, 50 cigarros durante esse período", afirma.

"Eu digo acendia porque eu descobria de repente que tinha quatro ou cinco cigarros acesos no estúdio. Eu era um escravo desssa porcaria. E de manhã o estúdio tinha um odor fétido, minha boca estava um horror, eu estava liqüidado", avalia Ziraldo.

Tudo isso mudou na década de 80, quando o jornalista foi convidado a idealizar uma campanha antitabagismo para o Ministério da Saúde.

"A campanha era comportamental", explica Ziraldo. "Eu convenci o pessoal das campanhas contra o fumo que a gente tinha que usar o mesmo argumento que convoca você para fumar, que é o comportamento."

A mensagem da campanha feita por Ziraldo era direta. "Não adianta você falar em saúde. Você tem que falar que não é elegante, não é cheiroso. O último cartaz que eu fiz dizia: 'Fumar fede'."

A campanha foi um sucesso e premiada internacionalmente, mas o cartunista continuava fumando, até o dia em que um fato aparentemente banal mudou sua atitude.

"Eu achava chato ver meus cartazes pelo país inteiro e ser encontrado fumando no meio da rua", recorda ele.

"Em uma madrugada, eu estava pintando, e tinha um cigarro ao lado da minha prancheta queimando. Um à direita, um à esquerda outro na pia. Eu descobri que tinha acendido seis cigarros sem acabar de fumar nenhum deles! Eu vim com o pincel, e o pincel tocou na cinza do cigarro, de cinco centímetros, parecia uma lagarta. E aquele toco de cinza colou no pincel, lambuzou o tudo e estragou o desenho", lembra.

O episódio foi a gota d'água para Ziraldo tomar uma decisão. "Saí catando os cigarros, amassei o maço e vi que minha prancheta estava toda queimada. Aí eu falei que nunca mais iria fumar na vida e nunca mais fumei."

Melhora

A decisão foi tomada há vinte anos. O cartunista afirma que não sentiu falta da nicotina, passou a dormir melhor a acordar menos cansado e a ter menos ressaca de manhã. Como efeito colateral, engordou muito, mas fez um regime e voltou ao peso normal.

Apesar de ser um exemplo de força de vontade, Ziraldo diz que não é um ex-fumante radical.

"Eu acho que o mundo continua fumando porque o ex-fumante é o cara mais chato do mundo. Os fumantes fumam para irritar o ex-fumante", afirma.

"Eu tenho pavor de ex-fumante, o cara que fica tirando cigarro da boca dos outros. Eu nem ligo, pode fumar 200 cigarros do meu lado."

Ziraldo está tão convencido dos malefícios do fumo que se arrisca a fazer uma previsão.

"Eu acho que o hábito de fumar está com os dias contados neste século. Acho que o homem não termina este século fumando não. Essa coisa de muleta do cigarro, eu acho que isso vai acabar."

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Links externos:
Associação pelos Direitos dos Tabagistas
Instituto Nacional de Câncer
Ministério da Saúde
Banco Mundial - tabaco (em inglês)
Associação Brasileira da Indústria do Fumo
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