Nobel de Química premia técnica para formar moléculas de carbono

Tela mostra cientistas premiados durante anúncio do prêmio
Image caption Método premiado é usado na fabricação de remédios e eletrônicos

A Real Academia Sueca de Ciências anunciou nesta quarta-feira que um cientista americano e dois japoneses irão dividir o Prêmio Nobel de Química deste ano, pelo desenvolvimento de moléculas usadas entre outras coisas para a formulação de remédios para o câncer e a fabricação de equipamentos eletrônicos mais modernos.

Richard Heck, Ei-ichi Negishi e Akira Suzuki desenvolveram novas formas de unir átomos de carbono para formar moléculas complexas.

O método desenvolvido por eles há quatro décadas é chamado de acoplamento cruzado por paládio catalisado em sistemas orgânicos.

A Academia disse que o método é uma ferramenta “precisa e eficiente” usada por pesquisadores em todo o mundo e também “na produção, por exemplo, de produtos farmacêuticos e de moléculas usadas na indústria eletrônica”.

Os três cientistas irão compartilhar um prêmio de 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 2,5 milhões).

Moléculas funcionais

A química orgânica usa como base os elementos naturais, usando as habilidades do carbono para formar bases estáveis para moléculas funcionais.

Para fazer isso, os químicos precisam ser capazes de unir átomos de carbono, mas esses átomos não reagem facilmente entre eles.

Os primeiros métodos usados pelos cientistas para unir átomos de carbono eram baseados em formas de tornar o carbono mais reativo.

Isso funcionou bem para a síntese de moléculas simples, mas os químicos encontraram dificuldades ao tentar desenvolver moléculas mais complexas.

O método premiado resolveu o problema, fazendo com que os átomos de carbono de aproximassem sobre um átomo de paládio, facilitando a reação entre eles.

Telefonema

Heck, de 79 anos, é professor emérito da Universidade de Delaware, nos Estados Unidos. Negishi, de 75, é professor de Química na Universidade Purdue, no Estado de Indiana (também nos Estados Unidos), e Suzuki, de 80 anos, é professor da Universidade de Hokkaido, em Sapporo, no Japão.

Negishi disse a repórteres suecos, por telefone, que estava dormindo quando recebeu a ligação de membros do comitê do Nobel para informá-lo sobre o prêmio.

“Fui deitar ontem (terça-feira) à noite bem depois da meia-noite, então eu estava dormindo, mas estou extremamente feliz por ter recebido o telefonema”, afirmou.

Suzuki disse ter recebido uma ligação de congratulações do premiê japonês, Naoto Kan. “Ele me disse que a ciência e a tecnologia do Japão estão no nível mais alto do mundo e me estimulou a fazer um bom uso dos recursos (do prêmio)”, afirmou.

A Academia Real Sueca de Ciências já anunciou nesta semana o Prêmio Nobel de Medicina, para o britânico Robert Edwards, pioneiro da técnica da fertilização in vitro, e o Nobel de Física, para dois cientistas russos que isolaram o grafeno, uma forma de carbono com um átomo de espessura.

Ainda devem ser anunciados os prêmios Nobel de Literatura, Paz e Economia.

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